quarta-feira, 23 de novembro de 2022

sobre traumas. dias maus.

 não sei o que se passa. não me reconheço na maior parte dos dias. talvez não tenha sido feita para amar. talvez o que vivi me impeça para sempre de ser feliz. talvez os traumas me levem constantemente ao passado. talvez eu seja demasiado, e por isso, peço demasiado. talvez ainda não tenha encontrado quem preciso. talvez seja tarde demais. talvez não queira continuar a procurar. ultimamente ando tão cansada de tudo. de todos. que saudades do que fui e que sei que não volta.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

sobre ti

nunca pensei muito sobre o que seria. às vezes queria. às vezes não. às vezes sentia falta. às vezes tinha medo. vi te chegar em alguns sonhos meus, amor. mas não tinhas rosto. queria que aparecesses. tinha medo de me cansar de ti. não aconteceu. queria alguém como tu. alguém gentil. alguém que me visse despir e não se conseguisse controlar. alguém que quisesse beijar me da ponte do pé à ponta do cabelo. alguém que me olhasse e sentisse despertar-se uma Amazónia de emoções. alguém que tivesse cuidado no toque. entendesse meias palavras. olhares. 

não sabia que precisava que cuidassem de mim. há anos que não permito que ninguém cuide. nao sabia que queria comprar cereais cá para casa. não sabia que se pode ir aprendendo a permitir a entrada. não sabia que gostava de treinar com alguém. não sabia que gostava de ir às compras contigo. não sabia que gostava de acordar todos os dias ao teu lado. não sabia que alguém me conseguia ajudar a acordar da ma disposição matinal. não sabia que gostava que me cantassem ao ouvido. não sabia que mais alguém podia lavar a louça, fazer a cama, mexer nas minhas coisas. dormir na minha cama. tomar conta de mim. amor... a pessoa que mais cuidou de mim deve estar orgulhosa por eu te ter encontrado.

perdoa me os traumas. não saber dar a mão na rua. não saber dar beijos em público. não te saber apresentar aos meus pais. não saber dizer te que és meu. não permitir que entres de repente. 

aqui. na Irlanda. na China. Eu e tu. Somos eu e tu. E quanto a mim, eu amo-te!

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

"Nunca reservei nada na vida"

nos último 4 anos ensinaram me que o amor é sobre ciúmes desmedidos. que é sobre ausências e silêncios. ensinaram me que os problemas se resolvem sozinha e que eu claramente tenho um problema e sou emocionalmente problemática. 

no último mês tens-me ensinado que não é sobre ciúmes. não é sobre tempo. não é sobre quantidade mas sim sobre qualidade. não é sobre confronto mas inteligência emocional. tens-me ensinado que se calhar posso querer a tua companhia para ir ao wc a meio da noite. que não há nada errado com ser eu. que ter alguém a toda a hora não é assim tão mau. tens me ensinado sobre coisas que eu tinha a certeza absoluta. tem sido sobre adaptar-me ao teu equilíbrio. tem sido sobre escolher-te a ti em vez do ciúme ou crise doentia. tem sido sobre aceitar as formas de amor reais.

- prefiro estar sozinho se vier alguma boca do que estares lá e teres que ouvir a boca também. é uma pessoa que não tem confiança comigo pra mandar bocas sobre nós. e se mandar eu falo com ele. é meu gerente e é assim que tem que me tratar. não tem que falar sobre a coisas que se passam foram dali. 

- ouvi-te dizer que vais ter um fim de semana de férias... podíamos fazer um programa só os dois.

- fica comigo para sempre..
- para sempre é muito tempo.. fico enquanto tu me quiseres.

não sei bem o que é um programa só os dois. não sei bem o que é andar de mãos dadas na rua, beijar em público, ter-te só para mim. mas, por favor, ensina-me.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

sobre amor.

 - já jantaste?

- tiraste as lentes?

- tomaste a pílula?


que nunca nos falte a vontade de amar assim. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

#3

 https://youtu.be/_YkXgDKGZtI


Todos os dias... Pensar em ti. Viver a minha vida. Pensar em ti. Questionar me o que é feito. O que fazes, o que fizeste, como estás. Todos os dias. 

Sabíamos que um dia íamos ser feitos de saudades. Certo?

Para mim tem sido todos os dias. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Diário da tua ausência #2

 quarta-feira. cheguei a quarta-feira. não sabes nada. não te posso contar e esse não foi o combinado. não sei nada e às tantas dou por mim a sentir me invadida por ti. foste a minha alma nos últimos 4 anos. foste as noites, os dias, os problemas. a parte boa. 

quero que saibas que ainda penso em ti. ainda fraquejo quando vejo um carro igual ao teu. ainda me mata imaginar que estás a sofrer. todos os dias tento imaginar te na tua vida. será que está a dormir? será que está a trabalhar? será que está no ginásio? será que....? 

estejas onde estiveres... Eu quero mesmo que estejas bem. que estejas feliz. Ainda não te perdoei... mas obrigada por de alguma forma teres cumprido o que sempre pedimos um ao outro. obrigada por me deixares tentar ser feliz.  Gostava de te poder contar tudo o que se te tem passado... Quão cruel pode ser uma história feliz?


Adelaide

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

diário da tua ausência #1

 voltou. não pensei que fosse tão cedo. tão rápido. mas voltou. depois do que aconteceu, achei que te ia odiar por tempo indeterminado. que ia guardar no meu coração a tua imagem revoltado, os teus olhos de raiva, a tua agressividade. achei que ia sentir me para sempre de consciência tranquila. que depois daquela madrugada, acontecesse o que acontecesse e durante tempo indeterminado te ia odiar. mas, mais uma vez, tu chegaste perto, e sabes que quando chegas perto, eu não te sei resistir, não te sei mandar embora. e a dor no peito voltou. só que diferente: agora já não posso partilhar a minha dor contigo. já não podemos chorar juntos e ajudar-nos mutuamente. agora já não podemos descobrir o caminho para sairmos disto juntos, como entramos. 

foi um dia leve. mas não te liguei às hora de almoço, nem tu a mim. não te contei as nóias da minha chefe. não te falei sobre os meus clientes chatos. não te contei o que disse nem o que fiz. não tive pressa de vir para casa depois do trabalho, sabia que não isso estar. 

sou ridícula não sou? mudei de marca de café porque a que tinha me fazia lembrar de ti. deitei o açúcar fora porque quando o comprei, foi a pensar em ti. jurei que para sempre nesta casa só se toma café sem açúcar. 

prometeste que este sentimento ia passar. e eu acreditei em ti como sempre acreditei nos últimos 4 anos. cada dia será só mais um até não sentir absolutamente nada. 

ensinaste me a amar. aquele amor maduro. ensinaste me sobre intimidade. ensinaste me sobre lealdade. ainda não consigo lembrar me só das coisas boas. mas pelo menos se me esforçar, a imagem que guardo tua é dos teus olhos verdes grandes a olharem para mim na minha sala. e eu tão destruída por dentro, e tão senhora de mim por fora. 

ainda te amo como se ama 1 vez na vida. mas isso não interessa e tu prometeste que ia passar. 


Adelaide