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domingo, 31 de outubro de 2021
terça-feira, 14 de setembro de 2021
"eu sou bem melhor sozinha, sabe..."
dizer-te que talvez não estivesse preparada. que talvez ainda não esteja. que custa mais ao fim do dia do que de manhã cedo. que custa mais ao fim de semana do que ao longo dela. que não estou muito ou minimamente preocupada com quem está à porta. a impedir a passagem. que não me lembro de quando é que comecei a sentir isto. mas sinto. que na generalidade dos dias o que sinto é raiva. e que estou sozinha. e isso é provavelmente a melhor coisa que tenho neste momento: eu.
dizer-te que não sei onde começou tudo isto. mas que aprendi que quando não se dizem palavras, é porque não se têm palavras. aprendi que atitudes valem mais do que palavras. aprendi que não é justo, nem compensa acreditar em meia dúzia de palavras vazias. dizer-te que desaprendi a gostar de ti. desaprendi a viver nas tuas ausências e faltas de tudo. dizer-te que não te desejo mal. nem bem. dizer-te que pior do que te odiar é não sentir absolutamente nada. dizer-te que as minhas palavras estão gastas. dizer-te que não insisto. dizer-te que, outra vez, que não me interessa. dizer-te que eu precisei tanto, tanto, mas tanto de ti. dizer-te que me lembro dos tempos em que se acontecia alguma coisa menos boa eu pensava "não tem problema porque quando eu estiver com ele vai passar tudo", "não tem problema porque eu vou-lhe contar e vai custar menos". dizer-te que deixei de achar que podias resolver todos os problemas do mundo. deixei de achar que eras porto seguro. deixei de sentir que o melhor sitio do mundo era ao teu lado.
dizer-te que não lamento, outra vez: não me interessa.
adelaideferreira
terça-feira, 10 de agosto de 2021
Y O U
"Encontraste alguém melhor do que eu?
Espero que sim. Rezo que não.
Fizeste das memórias um museu? Ou sou só eu?
O remédio para a tua solidão."
terça-feira, 13 de julho de 2021
feliz aniversário.
dava a vida para te ter só mais um dia. Amo-te. Amo-te muito. Ainda não te perdoei.
domingo, 13 de junho de 2021
No more hope.
https://youtu.be/AyX_LL9nWSE
e às vezes questionava-me porque não chorava. em momentos de stress. em momentos de pânico. em momentos de confronto. questionava-me se era assim dificil fazer crescer tristeza que não fosse por um amor falhado. tenho uma mão cheia deles. cresci rodeada deles. tanto que hoje, exatamente hoje. entendi que há coisas pelas quais não vale a pena lutar. não conheço ninguém. ninguém que tenha uma relação como achei que existia. os meus pais não são nem nunca foram um exemplo. os meus irmãos também não. mas eu quis acreditar que sim. lembro me do dia em que tive que encarar que o meu irmão mais velho não era assim tão herói. ainda que ainda o seja aos meus olhos. não quero acreditar que a minha irmã seja tão desequilibrada como a minha mãe era. não digo desequilibrada num sentido estranho e depressivo. digo quase no sentido literal. no sentido de não se conseguir equilibrar nessa tábua fina que fica todos os dias por baixo dos pés.
às vezes apercebo me das minhas inseguranças. apercebo me do que está menos bem. do que não me agrada à vista. no meu último relacionamento sofri tanto. está na moda falar se em relacionamentos tóxicos. por isso não vou usar essa expressão. mas lembro me do meu ex-namorado me dizere, a propósito de uma brincadeira, que nunca aquele estereótipo de homem de ginásio ia querer andar com uma "gaja" como eu. não questionei o que era "uma gaja como eu", porque provavelmente eu sabia. lembro me de olhar para mim, num dia em que me despi à frente dele (há coisa mais íntima no mundo inteiro?) e, a propósito das marcas de picadas de mosquitos em carne viva que tinha nas pernas, me olhar com desdém e dizer que lhe metia nojo. lembro me de ser relembrada constantemente de que "não me orientava". não sabia ir para lado nenhum sem gps, nunca ia aprender. nunca ia saber andar sozinha. temos sempre mais tendência a lembrarmos as coisas que nos magoaram, e nao as coisas que fizemos e magoaram os outros. e acredito que possa eventualmente ter magoado muitas pessoas no percurso. ou possa eventualmente ter sido má. mas sei que até hoje (e já não tenho essa pessoa na minha vida há 4 anos). me lembro de como isso afeta a minha autoestima. afeta quando me dispo e alguém está a olhar. afeta quando ando com alguém no carro e efetivamente não sei os caminhos. afeta quando algum estereótipo de homem se aproxima de mim. sempre.
esta volta enorme para falar sobre ter demorado 4 anos (e ainda estar no processo) de me gostar e de não querer que ninguém me magoe assim. esta volta enorme para dizer que é mesmo verdade. que no fim do dia não há ninguém que vá lamber as feridas, curar os problemas, "aliviar a carga". não há ninguém que dê sem receber. não há pessoas boas. não há corações pacientes. não há quem ajude a construir. porque é sempre mais fácil elevar a voz, discutir, diminuir.
quarta-feira, 14 de abril de 2021
De repente..
Sei la. de repente uma das minhas melhores amigas emigrou. e a outra engravidou. de repente apareceu um vírus qualquer. que afastou as pessoas. trouxe problemas. de repente achei (e ainda acho) que o que precisava era de me encontrar. não sei bem onde me perdi. sei que há qualquer coisa. talvez nas noites em que durmo 4 horas. que me diz que no futuro me vou rir disto. ou pensar que "ah miúda. estavas tão preocupada. tão triste. tão desmotivada. afinal correu bem." de repente passei a correr e a fazer exercício quase todos os dias. passei a sentir necessidade disso. sim. agora sou dessas. que sente uma necessidade qualquer de suar. que encontra a parte boa da vida nas corridas e nos exercícios dolorosos. e nem sequer estou a exagerar. engraçado. antigamente encontrava a parte boa da vida em alguém. há qualquer coisa estranha nesta nova forma de viver que me agrada ao mesmo tempo que me assusta.
quinta-feira, 18 de março de 2021
Bruno Alves
terça-feira, 16 de março de 2021
quinta-feira, 11 de março de 2021
é melhor sentires saudades, do que estarem todos os dias a discutir
quarta-feira, 10 de março de 2021
assim és impossível
domingo, 21 de fevereiro de 2021
"Isso para mim é bom, porque sei que vais fechar os olhos e vais lembrar de mim"
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
o sitio mais seguro do mundo
costumava ser no teu colo. entre a tua perna e a tua mão enrugada. costumava ser nas tuas palavras. costumava ser nos teus olhos infinitos e brilhantes. o sitio mais seguro do mundo. era o nosso quarto. era no teu cheiro. era nas coisas certas que me dizias. nas outras que acertavas e que nem por um segundo achei que fosse por acaso. era nas vezes em que me dizias: "olha para mim. estiveste a chorar?". e eu nem sabia o que era chorar. a sério. há uma parte de ti, que vai habitar em mim. por tudo o que foste. por tudo o que me deste. durante muito tempo, tive muito medo de te esquecer. mas lembro-te sempre. lembro-te na dificuldade em que tenho em adormecer. lembro-te na dificuldade que tenho em manter-me desperta. lembro-te nas viagens que parecem infinitas. lembro-me quando estou - conscientemente - a errar e sei que me estás a ver. tenho saudades tuas. é uma saudade quase tão infinita quanto os teus olhos. há qualquer coisa nos anos em que não viveste, em que não te tive que me faz querer morrer. que me faz querer ver-te. de novo. há qualquer coisa superior que me faz ir andando, ir estando, ir vendo. acho que és tu. a sussurrar-me constantemente que há qualquer coisa diferente, que há qualquer coisa melhor. se foste a minha pessoa durante tantos anos. agora és o meu sussurro quando a vida não vai tão certa. e acredita que há muito, muito tempo, que não vai certa.
amote. como se ama poucas pessoas na vida. e tu ainda és a minha pessoa. agora o meu sussurro.
Adelaide Ferreira
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
what kind of man that you are, if you're a man at all.
chegas. queres. tens.
e se calhar fui eu quem te habituou mal. cala-te parva. e pára de te culpar por tudo. se calhar fui eu que vesti uma roupa que não era apropriada. ou dei a ideia errada. se calhar fui eu que dei a entender que podia ser mais do que aquilo que é. se calhar o ter-me sempre sujeitado até aqui, deu a entender, por algum motivo, ou erro, que me ia sujeitar sempre.
o que eu sinto é o que eu sinto. ponto. mais um ponto. e se sinto que não tenho que agradar, então não agrado. até aqui agradava. hoje não. até tive um dia de merda. mais um. errada por achar que é alguém do teu género que vai tornar os dias mais fáceis. talvez já tenha sido mas agora já não será mais.
o problema da maior parte dos homens - na realidade... de todos os homens que conheci até hoje. sim, todos. sem exceção. nunca conheci uma exceção (e tenho pai, e tenho irmãos). é esquecerem-se que têm irmãs, filhas, mães. é não terem inteligência ou sensibilidade suficiente para porem a mulher que destratam no lugar de uma mulher que gostem. para pensarem mais e melhor sobre este assunto. não é só por ser mulher que merece ser tratada com respeito, com carinho, com dignidade e atenção, é e s p e c i a l m e n t e por ser mulher que assim tem que ser.
ai. que dramática. still need to be saved. all heroes apply.
Adelaide Ferreira
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
howcouldIever.
https://youtube.com/watch?v=ZmDBbnmKpqQ&feature=share
And you're probably with that blonde girl
Who always made me doubt
She's so much older than me
She's everything I'm insecure about
Yeah, today I drove through the suburbs
'Cause how could I ever love someone else?




