domingo, 13 de junho de 2021

No more hope.

 https://youtu.be/AyX_LL9nWSE

e às vezes questionava-me porque não chorava. em momentos de stress. em momentos de pânico. em momentos de confronto. questionava-me se era assim dificil fazer crescer tristeza que não fosse por um amor falhado. tenho uma mão cheia deles. cresci rodeada deles. tanto que hoje, exatamente hoje. entendi que há coisas pelas quais não vale a pena lutar. não conheço ninguém. ninguém que tenha uma relação como achei que existia. os meus pais não são nem nunca foram um exemplo. os meus irmãos também não. mas eu quis acreditar que sim. lembro me do dia em que tive que encarar que o meu irmão mais velho não era assim tão herói. ainda que ainda o seja aos meus olhos. não quero acreditar que a minha irmã seja tão desequilibrada como a minha mãe era. não digo desequilibrada num sentido estranho e depressivo. digo quase no sentido literal. no sentido de não se conseguir equilibrar nessa tábua fina que fica todos os dias por baixo dos pés. 

às vezes apercebo me das minhas inseguranças. apercebo me do que está menos bem. do que não me agrada à vista. no meu último relacionamento sofri tanto. está na moda falar se em relacionamentos tóxicos. por isso não vou usar essa expressão. mas lembro me do meu ex-namorado me dizere, a propósito de uma brincadeira, que nunca aquele estereótipo de homem de ginásio ia querer andar com uma "gaja" como eu. não questionei o que era "uma gaja como eu", porque provavelmente eu sabia. lembro me de olhar para mim, num dia em que me despi à frente dele (há coisa mais íntima no mundo inteiro?) e, a propósito das marcas de picadas de mosquitos em carne viva que tinha nas pernas, me  olhar com desdém e dizer que lhe metia nojo. lembro me de ser relembrada constantemente de que "não me orientava". não sabia ir para lado nenhum sem gps, nunca ia aprender. nunca ia saber andar sozinha. temos sempre mais tendência a lembrarmos as coisas que nos magoaram, e nao as coisas que fizemos e magoaram os outros. e acredito que possa eventualmente ter magoado muitas pessoas no percurso. ou possa eventualmente ter sido má. mas sei que até hoje (e já não tenho essa pessoa na minha vida há 4 anos). me lembro de como isso afeta a minha autoestima. afeta quando me dispo e alguém está a olhar. afeta quando ando com alguém no carro e efetivamente não sei os caminhos. afeta quando algum estereótipo de homem se aproxima de mim. sempre. 

esta volta enorme para falar sobre ter demorado 4 anos (e ainda estar no processo) de me gostar e de não querer que ninguém me magoe assim. esta volta enorme para dizer que é mesmo verdade. que no fim do dia não há ninguém que vá lamber as feridas, curar os problemas, "aliviar a carga". não há ninguém que dê sem receber. não há pessoas boas. não há corações pacientes. não há quem ajude a construir. porque é sempre mais fácil elevar a voz, discutir, diminuir. 


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