sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

sobre o inverno

 Dormir na sala. às vezes só dormir na sala. porque os monstros, os sonhos, os pesadelos,  e a ansiedade estão no quarto. às vezes não dormir. porque acordar é a parte mais dura. estar sozinha, sempre a toda a hora. um dia a loucura vem. 

domingo, 20 de setembro de 2020

sobre o ultimo mês

 não pensei que tantas saudades coubessem num coração tão partido. não pensei que os dias iam ficar mais leves. sabia só que o coração ia ficar mais pesado. 

nunca pensei que fosse tão fácil para ti. nunca pensei que fosse tão fácil deixar me ir. mas não fui embora para que não me deixasses ir. no fundo, bem, bem no fundo.... sempre soube que seria mil vezes mais fácil para ti. parabéns pela família linda que tens e que mostras. certamente durmo mais leve todas as noites agora.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

"fica à vontade para seres como eu"

Vou falar-te em voz baixa. Falamos sempre mais baixo quando queremos que nos ouçam. 
Vou dizer que te perdoo tudo. que perdoo as ausências, que perdoo as coisas que não perguntaste. que perdoo quando precisei e não estiveste. que perdoo quando pedi e não vieste. porque não quiseste. porque não pudeste. perdoo toda a situação em que me puseste. perdoo a situação a que me sujeitei durante tantos meses. perdoo nunca teres entendido que, apesar de tudo, deste lado o sentimento sempre foi verdadeiro. perdoo as cenas de ciúmes. perdoo teres esmurrado o meu carro. perdoo dizeres coisas que não gostei de ouvir. perdoo todas as vezes em que, já em cacos, me vieste falar de como ela é isto e aquilo. perdoo teres-me quebrado em mil. perdoo teres pedido que me afastasse deste e daquele. perdoo teres-me escondido. perdoo teres desistido. perdoo as coisas feias que me disseste. perdoo todas as justificações que não me deste. perdoo-te teres interrompido a minha vida nos últimos dois anos. 

perdoa-me não ter sabido lidar. perdoa-me as mudanças de humor. perdoa-me as vezes em que disse que ia embora e deixei a porta encostada. perdoa as vezes em que adormeci. perdoa as vezes em que fiquei sem bateria. perdoa as vezes em que não me apeteceu. perdoa as vezes em que não fiz exatamente aquilo que querias que fizesse. perdoa ter sido tão sincera. perdoa ter feito coisas que eventualmente te magoaram. perdoa ter-me metido na tua vida, ter deixado o tempo passar. perdoa ter pensado que algum dia ias sentir um terço, foda-se, só um terço daquilo que senti por ti. perdoa-me ter fugido de repente. perdoa-me que não tenha coragem para fechar a porta na tua cara. perdoa as coisas que não sei que sentes, porque nunca me disseste, mas se for mau, perdoa-me

obrigada. obrigada pelas vezes em que pedi e vieste. pelas vezes em que foste o meu refúgio no meio deste mundo horrível em que vivo. obrigada por teres acompanhado a minha vida, as trocas de trabalho, as entrevistas, o stress, os desabafos (aarrrghh detesto esta palavra). obrigada por teres trocado os pneus do meu carro. obrigada por teres ido ter comigo quando tive um acidente. obrigada por teres ido tomar café 20 vezes (a trabalhos diferentes) só para me veres. obrigada por teres sido tão disponível quanto pudeste e enquanto quiseste. 

prometo-te que isto sou eu a fechar a porta. que isto sou eu a dizer que já deu. e se alguma vez achares que fugi, quero que saibas que não sei onde fui buscar tanta força. 

Não tenho nenhuma justificação para ti. não tenho nada a acrescentar ao que te fui dizendo ao longo dos últimos meses. ainda te adoro. muito. mas isso não muda nada. lamento. 

prometo que vai ser como se eu nunca tivesse existido


Adelaide Ferreira

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Não escolhi

Hoje sei que o destino é o destino e que nada podemos fazer quanto a ele. Pensei que aos 25 estaria a morar sozinha, na minha casa, com o emprego de sonho na minha área e quiçá, um amor para abraçar e me aquecer a alma: não aconteceu. namorei tanto que hoje, quando olho para trás vejo um leque de adeus tristonhos e momentos vazios. Tenho saudades do que fui e do que não volta. Tenho saudades dos tempos em que na minha confusão pessoal havia um alguém  que me afagava o cabelo. E que tornava o mundo mais leve.  Tenho pena de viver entregue a algo que não existe, a um alguém que não é meu e que não sinto. Tenho pena de ter escolhido esta profissão e já nem isso me fazer feliz. Pensei que tudo o que me faltava era o emprego na área, o carro da empresa, o salário ao fim do mês: mas é mentira. Fui mais feliz num tempo em que não tinha praticamente tempo e vivia agarrada à convicção de que p futuro seria melhor. Hoje não vejo futuro. Vejo vários lugares vazios que me fazem querer chorar. Vejo um monte de nadas que nunca hão de significar algo. Perdi a pachorra, o sorriso, a esperança. 
Quando te encontrar, abraça-me!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

deu certo sim.

O teu sorriso. O teu jeito. O teu toque. O nosso amor. O teu sentido de humor. A tua idade. O teu cabelo grisalho nos meus dedos. Os teus dedos. O teu corpo. Os teus braços fortes. As nossa maneira de viver. As nossas chamadas. Os nossos encontros às escondidas. Os meus amo-te's. Os teus "porque é que eu gosto tanto de ti?". As nossas mãos dadas. As tuas supresas. Os nossos cafés. O seres meu. O ser tua. O querer-te tanto. O seres tão doce. O chorares sempre que vou. O chorar sempre que vais. Não estragues. Não mudes. Não contes a ninguém. Não queiras mais ninguém. Espero por ti uma vida inteira. Mesmo que nao pareça. Mesmo que sintas o contrário. Não será para sempre. Mas tens sido a parte boa da vida. O coleguinha da Trivalor. O namorado que é só meu e ninguém conhece. Obrigada por tudo, pelas soluções rápidas, pelas busca incessante de uma felicidade que eu não sei se existe. Mas que me ajudas a encontrar todos os dias. Sabes? É mais difícil quando não estás! ❤