perdoa-me não ter sabido lidar. perdoa-me as mudanças de humor. perdoa-me as vezes em que disse que ia embora e deixei a porta encostada. perdoa as vezes em que adormeci. perdoa as vezes em que fiquei sem bateria. perdoa as vezes em que não me apeteceu. perdoa as vezes em que não fiz exatamente aquilo que querias que fizesse. perdoa ter sido tão sincera. perdoa ter feito coisas que eventualmente te magoaram. perdoa ter-me metido na tua vida, ter deixado o tempo passar. perdoa ter pensado que algum dia ias sentir um terço, foda-se, só um terço daquilo que senti por ti. perdoa-me ter fugido de repente. perdoa-me que não tenha coragem para fechar a porta na tua cara. perdoa as coisas que não sei que sentes, porque nunca me disseste, mas se for mau, perdoa-me
obrigada. obrigada pelas vezes em que pedi e vieste. pelas vezes em que foste o meu refúgio no meio deste mundo horrível em que vivo. obrigada por teres acompanhado a minha vida, as trocas de trabalho, as entrevistas, o stress, os desabafos (aarrrghh detesto esta palavra). obrigada por teres trocado os pneus do meu carro. obrigada por teres ido ter comigo quando tive um acidente. obrigada por teres ido tomar café 20 vezes (a trabalhos diferentes) só para me veres. obrigada por teres sido tão disponível quanto pudeste e enquanto quiseste.
prometo-te que isto sou eu a fechar a porta. que isto sou eu a dizer que já deu. e se alguma vez achares que fugi, quero que saibas que não sei onde fui buscar tanta força.
Não tenho nenhuma justificação para ti. não tenho nada a acrescentar ao que te fui dizendo ao longo dos últimos meses. ainda te adoro. muito. mas isso não muda nada. lamento.
prometo que vai ser como se eu nunca tivesse existido
Adelaide Ferreira
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