domingo, 11 de dezembro de 2016

"Não há nada mais forte do que um destino traçado"



Podia perfeitamente ter sido eu a escrever: O teu carro, e aquele som, se falha o rádio mostras-me o teu dom. Aos meus ouvidos soa bonito. logo à noite vou sentir o teu pé, a conchinha, o cafuné. adormecemos de mão dada a conversar de madrugada. Vem dizer-me sim.

Porquê deitar fora o que é tão puro e bonito?




Adelaide Ferreira

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

the worst part of it all was loosing me

talvez ainda esteja anestesiada. talvez só doa quando estou sozinha porque é efetivamente quando estou sozinha que me permito pensar e lembrar. talvez agora que partiste, que na minha cabeça morreste... sim, fui obrigada a matar-te, a imaginar-te uma morte um funeral. foi mais fácil assumir que morreste, do que assumir que me escapaste entre os dedos. do que assumir que quiseste e preferiste partir do que insistir. quando alguém morre, custa menos. aceitamos que morreu e pronto. não deixamos nunca de amar essa pessoa. assumimos que não voltará, porque infelizmente está morta e não volta. ainda tenho sonhado contigo, são quase sempre sonhos maus. a minha mãe tem dormido comigo e diz que ainda choro a dormir: eu não sei. sei que quando esta noite acordei porque sonhei com o teu funeral, estava completamente sozinha. sozinha como há meses não estava. como há dois anos atrás. eu era forte, independente. tinha o meu carro, o meu trabalho, os meus estudos, as minhas saídas, as minhas paixões e não doía. não doía nunca. posso voltar? não faço asneiras prometo! prometo que só quero que pare de doer. prometo que te consigo amar sem dor. o luto de ti custa tanto! o luto custa sempre, mas o teu... às vezes sinto que avançaste tão longe e que eu fiquei tão para trás. fiquei? não fiquei pois não?!

Sou forte, independente, todos me dizem que sim, eu sei que sim. ainda não te odeio e as minhas amigas dizem que vou odiar. ainda te amo mas sei que tiveste que partir. um dia cruzamos-nos outra vez, e pergunto-te porque tiveste que partir.
O dia em que fomos felizes ao acordar na mesma cama. 20 Novembro 2016

Adelaide: olha o Pedro tinha uma igual a esta
Ana: ai outra vez Adelaide? voltas a falar no Pedro vamos ter problemas graves.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Eu pensei

Uma lágrima suspensa. uma dor no peito. um amor inacabado. uma nova tentativa. um novo rumo. amigas que tentam. amigas que conseguem. amores que (não) morrem. uma refeição saltada. outra lágrima suspensa. uma lágrima que cai. uma cama fria. uma cama gigante. uma véspera de feriado. eu em casa. ao menos em casa. na minha doce casa. dois exames. nenhuma boa sorte. apenas um bom trabalho. clientes que me lembram de ti. casais que se amam. e eu com tanto amor para dar. dinheiro que gastei. coisas que nem sequer usei. o meu computador. a árvore de natal dos aliados. o infinito que me olha de perto. parece que me quer. vários sorrisos dentro de mim. gosto de sorrisos. amo sorrisos. os sorrisos fazem-me sorrir. as pessoas fazem-me ter pena de existir. adormeci no autocarro. a bateria do meu telemóvel durou 24h. comprei um colar. comprei um livro. sim comprei um livro. há tanto tempo que não comprava um livro. está escrito em inglês. na capa diz harry potter. hoje a noite vai ser longa. os meus pais tinham razão. o mundo não acabou. a vida segue. para onde? tu moras em mim. em tudo o que te dei. em todos os beijos. eu amo-te. vou amar. não há problema. eu pensei que ia custar menos.



Adelaide Ferreira, assim pausada, tranquila.

domingo, 4 de dezembro de 2016

A carta que escrevi, mas que nunca te enviei

" 3 de Dezembro de 2016


Meu amor, hoje, há precisamente dois anos atrás, estava a passar um mês, desde que nos conhecemos, hoje, há dois anos atrás, tu deste-me uma rosa, e uma carta, hoje é a minha vez… as palavras estão gastas mas as lágrimas não. Juro que não quero esquecer, não quero esquecer da primeira vez que nos beijamos, nem da primeira vez em que fizemos amor, da primeira vez que dormi em tua casa e das vezes que mentimos para estarmos juntos só mais um bocadinho… A tua rua, a tua casa, o teu quarto, têm um encanto que só nós conhecemos, sentem como só nós sentimos… Não me quero esquecer da nossa entrega de diplomas, desse dia em que te disse: “ver-te ali e não te poder tocar foi a coisa mais difícil que fiz em toda a minha vida”. No inicio não sabia mas agora sei, deixar-te ir assim fácil, é a coisa mais difícil que vou tentar fazer em toda a minha vida. As tuas mãos, o teu corpo, os teus abraços. O que sofro quando sei que sofres, o que chorei quando estiveste internado e o bem que soube ouvir-te perguntar por mim nessa noite. Custava tão menos quando sabia que estavas ali, bem ali a cada queda minha… e agora? agora? Agora que decidiste fazer as malas, não me avisar e ir embora, agora que fiquei aqui sem ti... Agora que as noites são frias e os dias mais longos!... Não me vais amar mais, não me vais buscar ao trabalho e por-me papelinhos no carro enquanto me gravas, não vamos mais à praia juntos, não vamos fazer amor, não vamos ver filmes, nunca mais vou adormecer no teu colo. Nunca mais vou ser o ombro que queres ter para chorares, nunca mais vou ser a tua melhor amiga e a tua única confidente… Nunca mais vou afagar o teu cabelo enquanto conduzes ou mimar-te enquanto me mimas. Nunca mais vamos de ferias juntos. Nunca mais a mota que vou ouvir e que me faz correr pra janela vai ser a tua… Nunca mais vou sentir amor e ver o meu reflexo nos teus olhos! Foste a melhor coisa que me aconteceu na vida, e dava tudo, um dia da minha vida, para poder voltar atrás no tempo e ser o que eramos, dava tudo para seres mais uma vez tu a tentar voltar, porque ambos sabemos que voltarias, voltarias ao lugar que é teu, e que sempre foi teu. Porque é isso que sempre fiz contigo: querer-te bem ao meu lado assim que o quisesses! Talvez as coisas tenham acabado à muito tempo e eu nunca tenha querido ver… talvez tu sejas bem mais forte do que eu sou, mais seguro, mais (…) Assim que quiseres voltar, eu estou aqui, não vou deixar a chama morrer nunca, porque tu és o grande amor da minha vida e isso só se vive uma vez! Não vou procurar nada, vou estar em casa, no trabalho, na faculdade, num destes 3 sitios vais sempre poder encontrar-me! Nem que seja para um café. Obrigada por tudo… Eu… AMO-TE!

Adelaide Ferreira"


E eu sei que não foi assim tão mau, sei que o que fiz tem perdão, sei que se não podes ou não queres perdoar... não sei! Não somos (fomos) esses casais patéticos que se vêm nos filmes, fomos melhores, custa falar no passado mas fomos melhores! Só eu e tu sabemos o que se passou e não vou voltar a falar de ti a ninguém, porque tu és tu, e foste tão especial que vou ver que me calar, calar para que nada nem ninguém possa alterar a tua memoria em mim!
Já passei por isto mas nunca nestas proporções, nunca pensei que o meu Pedro me fosse largar, largar a minha mão, o meu coração, parece que não tenho rumo entendes? Parece que o mundo caiu, que congelou, que não anda mais enquanto não te sentir! É assim tão mau falar com um amigo? Ou isto já estava a acontecer e eu não vi? Ou tu já querias muito isto e eu não sabia? São 9:40h da manhã, estou tão mal que acordei às 8:30h, juro que isto é verdade! A minha mãe ontem teve que ir dormir para o meu quarto porque sozinha já não conseguia, quem me conhece sabe que para desabafar com a minha mãe é sinal de que o mundo está efetivamente a acabar!... Pensei que hoje já me sentiria melhor, mas mal acordei e procurei o telemóvel percebi que era verdade, que tu tinhas mesmo ido embora sem mim, que me tinhas deixado aqui, sozinha, caída no chão, e que não vais nunca mais voltar! E dói! Se dói! Ainda não parei de chorar desde que te liguei ontem à tarde, mas prometo que não ligo mais, que não chateio mais, prometo que vou aprender a lidar com a tua perda!


Adelaide Ferreira

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Uma pessoa tenta, tentou, mas não deu

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo...
Não respondas às urgentes perguntas que te fiz,
Deixa-me ser feliz assim, já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a deseja-la tanto,
Só soubemos sofrer enquanto o nosso amor durou
Mas o tempo passou,
Há calmaria!...

Por favor não perturbes a paz que me foi dada,
Ouvir de novo a tua voz seria... matar a sede!
Com água salgada!...

Um poema que sei de cor, porque sim, meus amigos, meu amor, a dor decora-se.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Tu, meu amor

ele é quente. e às vezes frio. tão frio. quando sorri o mundo cai bem abaixo dos meus pés. e o meu coração bate depressa, acontece o mesmo quando me mentes, quando és infantil, quando me dás pouco e eu exijo tanto. mas o coração não bate depressa, não amor, bate longe. de ti e de nós, e daquilo que nós queremos no futuro. entendes?
desculpa quando falho, quando te ligo a qualquer hora e te obrigo a estares disponível, obrigada por estares sempre. desculpa se pareço chata ou obcecada em relação a certas partes de nós. eu sou carente... tão carente meu amor!... tão carente de ti! do teu corpo, das tuas mãos no meu corpo, no meu peito, no nosso sexo. e a minha cama é tão pequena para nós os dois e fica tão imensamente grande quando estou eu. todas as noites preciso de ti, mas tu não sabes. todas as noites, mesmo antes de adormecer penso em ti, e quando acordo, lá estás tu, meu amor, outra vez. tenho o teu nome cravado no meu peito, todas as tuas palavras bonitas, todos os teus gestos sinceros. não sei se te peço que fiques, porque no fundo, sei que não vais poder ficar para sempre. a vida ensinou-me isso. mas promete-me que nos aproveitas. porque temos 21 anos e agora é que é o momento de sermos felizes, juntos!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Há tanto tempo meu amor!....

Acho que desde sempre soube que o mundo é exatamente aquilo que queremos fazer dele. e são, sem dúvida, as nossas atitudes que moldam aquilo que do mundo recebemos. se há coisa que aprendi com a minha pequena mas tão grande madrinha de praxe, foi a fazer nem mais nem menos aquilo que eu sinto que deve ser feito. porque talvez também para mim, a praxe se faça através de exemplos, através de modelos a seguir e nunca, em momento algum através de vingançazinhas sem fundamento, rancores exagerados ou mesmo pelas mãos daqueles que não são, de todo, imparciais. que sirva de exemplo, já que não serviu de aprendizagem: o espirito de manada não se força, (MAIS UMA VEZ!!!!!) sente-se! Tudo o que faço, e em particular, tudo o que hoje fiz, senti de coração, nunca de cabeça, nunca por "efeito rebanho". vamos então diretos ao assunto:  a praxe não deve escolher a mão pela qual se rege, mas isto acontece, a praxe não deve escolher o seu destinatário, mas escolheu. a mão de quem não sabe por o orgulho de lado, não deverá em tempo algum ser a mão de quem manda na praxe. fui atrás do Dr. Adriano, porque quis. Não fiz 10/20 flexões porque senti que não devia e que não era "merecedora" que tal ordem. Fiquei UMA HORA E MEIA, SIM UMA HORA E MEIA! a olhar para um riacho primeiro porque assim me mandaram, terceiro porque mesmo sendo tão rigorosos com faltas e coisas semelhantes na praxe da minha casa (A CASA QUE TANTAS VEZES ME ORGULHOU E ORGULHEI) há "praxistas" dignos de ser riacho. terceiro sim, porque segundo, DETESTO INCOERÊNCIAS. Aquilo que aconteceu hoje acontecerá sempre, e como diz essa minha grande madrinha, não devemos mudar o nosso pensamento em prol de um discurso vindo da boca daqueles que possuem essa mão tão pouco imparcial e se regem essencialmente pela censura, poder, e vontade de humilhar.

A praxe começa dentro de cada um, e é do tamanho dos horizontes que cada um possui! A praxe só se poderá construir sobre aqueles que possuem tamanho suficiente para mudar, para evoluir, para avançar! Falta de respeito não é praxe, e o respeito, acima da praxe, possui duas direções!


Adelaide Ferreira  DVRA PRAXIS, SED PRAXIS!

sábado, 27 de fevereiro de 2016

a praxe, a minha praxe, a praxe da ESTSP!

não neguemos: as pessoas tendem constantemente a ter medo daquilo que desconhecem, é uma condição normal, comum, e um pouco abstrata a todos os animais, e principalmente ao ser humano. a tragédia no meco, todas as outras que foram lembradas entretanto, o medo dos meus pais, o meu próprio medo.
entrei na faculdade pouco tempo depois da tragédia do meco, sensivelmente 2 anos depois. entrei mais tarde, depois de não ter entrado dois anos seguidos, finalmente entrei, e corrijo: não entrei tarde, entrei exactamente quando tinha que entrar. a vida começa na universidade mas mesmo assim eu fui tão feliz fora dela.
a praxe, o curso, os colegas, a adaptação, a idade, o tempo, a vida, aquilo que sempre se imagina e nunca - ou quase nunca -  corresponde à realidade. admito: não estou no curso que quero, que gostaria ou em que sempre imaginei entrar. na realidade acho que por nunca ter pensado muito no que aconteceria depois do 12ºano não custou tanto, e mesmo assim custou horrores. a praxe ajudou mas mais uma vez e correndo o risco de me repetir, confesso: odiei a praxe desde o primeiro dia.
sabem todas aquelas expectativas altíssimas em relação aquele mundo tão imenso que é a praxe? eu tinha-as. os meus 3 irmãos foram "praxados", trajaram, e um deles chegou mesmo a "praxar". sou a mais nova e por isso vivi sempre as histórias deles e imaginei as minhas. enganei-me. se a integração para mim seria difícil na minha cabeça então na praxe, foi ainda mais árdua...
depois da inscrição (na praxe é claro) senti de imediato o orgulho no meu número, na minha casa, nas minhas cores - as melhores cores nesta cidade - e naquela praxe que eu, que sempre pensei saber exatamente o que era, desconhecia por completo. a semana a seguir foi um suplicio, mas eu não desisti, achei sempre que melhoraria (e melhorou tanto, tanto, tanto!...). não haviam aulas e a praxe começava às 8:01, e terminava às 20:01h. e todos os dias "enchiamos" e todos os dias eu chorava, e todos os dias eu pedia para me vir embora e ninguém me deixou: e ainda bem que o fizeram. vi pessoas a chorarem e a desistirem ao meu lado, mas houveram pessoas que também me viram a mim. partilhei e partilharam água comigo pessoas que eu nunca tinha visto antes e com quem já tinha uma enorme cumplicidade. partilhei o meu protetor solar, o meu adesivo - o objecto mais utilizado em praxe, talvez - partilhei gestos e muito poucas palavras. partilhei posições desconfortáveis acompanhadas de olhares sinceros. detestei cada momento. e dois momentos bons não compensavam um mau.
só voltei a sentir orgulho do meu número e da minha casa no dia em que fizemos uma viagem de barco pelo Douro e pusemos em prática aquilo que tínhamos aprendido até então: berrar pela nossa casa o mais alto possível quando na presença de outra casa. provavelmente perdemos, provavelmente ganhamos. mas soube tão bem cá dentro do meu peito.
todos os dias cheguei a casa rouca. todos os dias acordei com dores no corpo todo, mas sempre voltei lá, e porquê? não sei. pela minha vida que eu não sei. acho que ninguém sabe e é isso que torna tudo único. não há uma frase ou uma palavra que defina praxe, nem quero tentar, a praxe não se explica de maneira nenhuma, e eu como ainda caloira que sou. recuso-me a fazê-lo.

durante as semanas seguintes tive praxe todas as quintas-feiras. se ia com vontade? não. se queria lá estar? queria, quanto mais não fosse pela teimosia e curiosidade a cerca do que aconteceria a seguir. e caros leitores, aconteceram tantas coisas mágicas a seguir... a semana académica: o regresso da praxe todos os dias durante 12h, a noite negra, as músicas, o comboio de caloiro, a latada, o batismo, o juramento. a escolha da madrinha: as lágrimas sempre que aquele ser falava comigo, o medo de não a ter, o orgulho por me ter acolhido tão bem. cantar para os doutores, eles cantarem para nós, e nos protegerem do mundo todo, só com uma capa negra às costas. o amor que comecei a sentir. na mágica ESTSP, as regras são severas e claras: ninguém falta à praxe. se faltei? faltei. faltei algumas vezes e em nenhuma delas, meus caros, foi unicamente "por faltar". tive que estudar e estudei, tive que ir ao médico e fui. tive que jogar voleibol e joguei. e para quem trabalhava ao fim de semana e estudava durante a semana, era demasiado duro ocupar a unica manhã livre num recinto que durante muito tempo não me disse nada. e mesmo assim, sempre que faltei, faltei por motivos bem válidos. e passei. infelizmente, e mais um vez como tudo na vida, há sempre pessoas que não entendem os motivos alheios, e não se colocam na pele do outro. a vida é dura e cabe-nos a nós torna-la mais leve, melhor. eu li parte do código de praxe. e sabem o que diz por lá? que a ninguém deve ser vetado tanto o direito de pertencer à praxe como o direito de não pertencer. e que àquele que não pertencer, nada deve ser negado, nem deve ser posto de parte por colegas ou mesmo outras identidades. aqueles que se dizem praxistas e não entendem isto, têm de facto, princípios e rever.

arrufos de parte. a praxe da mágica é e está a ser de facto mágica. e sabem o que senti no dia em que vesti pela primeira vez o traje? chorei de tristeza por estar mais perto de largar o cinza e amarelo.


Adelaide Ferreira, 17