não sei o que se passa. não me reconheço na maior parte dos dias. talvez não tenha sido feita para amar. talvez o que vivi me impeça para sempre de ser feliz. talvez os traumas me levem constantemente ao passado. talvez eu seja demasiado, e por isso, peço demasiado. talvez ainda não tenha encontrado quem preciso. talvez seja tarde demais. talvez não queira continuar a procurar. ultimamente ando tão cansada de tudo. de todos. que saudades do que fui e que sei que não volta.
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quarta-feira, 23 de novembro de 2022
segunda-feira, 17 de outubro de 2022
sobre ti
quinta-feira, 1 de setembro de 2022
"Nunca reservei nada na vida"
nos último 4 anos ensinaram me que o amor é sobre ciúmes desmedidos. que é sobre ausências e silêncios. ensinaram me que os problemas se resolvem sozinha e que eu claramente tenho um problema e sou emocionalmente problemática.
no último mês tens-me ensinado que não é sobre ciúmes. não é sobre tempo. não é sobre quantidade mas sim sobre qualidade. não é sobre confronto mas inteligência emocional. tens-me ensinado que se calhar posso querer a tua companhia para ir ao wc a meio da noite. que não há nada errado com ser eu. que ter alguém a toda a hora não é assim tão mau. tens me ensinado sobre coisas que eu tinha a certeza absoluta. tem sido sobre adaptar-me ao teu equilíbrio. tem sido sobre escolher-te a ti em vez do ciúme ou crise doentia. tem sido sobre aceitar as formas de amor reais.
- prefiro estar sozinho se vier alguma boca do que estares lá e teres que ouvir a boca também. é uma pessoa que não tem confiança comigo pra mandar bocas sobre nós. e se mandar eu falo com ele. é meu gerente e é assim que tem que me tratar. não tem que falar sobre a coisas que se passam foram dali.
- ouvi-te dizer que vais ter um fim de semana de férias... podíamos fazer um programa só os dois.
- fica comigo para sempre..
- para sempre é muito tempo.. fico enquanto tu me quiseres.
não sei bem o que é um programa só os dois. não sei bem o que é andar de mãos dadas na rua, beijar em público, ter-te só para mim. mas, por favor, ensina-me.
terça-feira, 30 de agosto de 2022
sobre amor.
- já jantaste?
- tiraste as lentes?
- tomaste a pílula?
que nunca nos falte a vontade de amar assim.
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
#3
https://youtu.be/_YkXgDKGZtI
Todos os dias... Pensar em ti. Viver a minha vida. Pensar em ti. Questionar me o que é feito. O que fazes, o que fizeste, como estás. Todos os dias.
Sabíamos que um dia íamos ser feitos de saudades. Certo?
Para mim tem sido todos os dias.
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
Diário da tua ausência #2
quarta-feira. cheguei a quarta-feira. não sabes nada. não te posso contar e esse não foi o combinado. não sei nada e às tantas dou por mim a sentir me invadida por ti. foste a minha alma nos últimos 4 anos. foste as noites, os dias, os problemas. a parte boa.
quero que saibas que ainda penso em ti. ainda fraquejo quando vejo um carro igual ao teu. ainda me mata imaginar que estás a sofrer. todos os dias tento imaginar te na tua vida. será que está a dormir? será que está a trabalhar? será que está no ginásio? será que....?
estejas onde estiveres... Eu quero mesmo que estejas bem. que estejas feliz. Ainda não te perdoei... mas obrigada por de alguma forma teres cumprido o que sempre pedimos um ao outro. obrigada por me deixares tentar ser feliz. Gostava de te poder contar tudo o que se te tem passado... Quão cruel pode ser uma história feliz?
Adelaide
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
diário da tua ausência #1
voltou. não pensei que fosse tão cedo. tão rápido. mas voltou. depois do que aconteceu, achei que te ia odiar por tempo indeterminado. que ia guardar no meu coração a tua imagem revoltado, os teus olhos de raiva, a tua agressividade. achei que ia sentir me para sempre de consciência tranquila. que depois daquela madrugada, acontecesse o que acontecesse e durante tempo indeterminado te ia odiar. mas, mais uma vez, tu chegaste perto, e sabes que quando chegas perto, eu não te sei resistir, não te sei mandar embora. e a dor no peito voltou. só que diferente: agora já não posso partilhar a minha dor contigo. já não podemos chorar juntos e ajudar-nos mutuamente. agora já não podemos descobrir o caminho para sairmos disto juntos, como entramos.
foi um dia leve. mas não te liguei às hora de almoço, nem tu a mim. não te contei as nóias da minha chefe. não te falei sobre os meus clientes chatos. não te contei o que disse nem o que fiz. não tive pressa de vir para casa depois do trabalho, sabia que não isso estar.
sou ridícula não sou? mudei de marca de café porque a que tinha me fazia lembrar de ti. deitei o açúcar fora porque quando o comprei, foi a pensar em ti. jurei que para sempre nesta casa só se toma café sem açúcar.
prometeste que este sentimento ia passar. e eu acreditei em ti como sempre acreditei nos últimos 4 anos. cada dia será só mais um até não sentir absolutamente nada.
ensinaste me a amar. aquele amor maduro. ensinaste me sobre intimidade. ensinaste me sobre lealdade. ainda não consigo lembrar me só das coisas boas. mas pelo menos se me esforçar, a imagem que guardo tua é dos teus olhos verdes grandes a olharem para mim na minha sala. e eu tão destruída por dentro, e tão senhora de mim por fora.
ainda te amo como se ama 1 vez na vida. mas isso não interessa e tu prometeste que ia passar.
Adelaide
domingo, 7 de agosto de 2022
sábado, 6 de agosto de 2022
broken.
quarta-feira, 11 de maio de 2022
dizer-te
dizer-te que muitas vezes sinto vontade de te escrever. dizer-te que quando apareceste, eu era outra adelaide. uma adelaide que hoje não reconheço, maior parte do tempo. estava quebrada, dependente, sem saber bem o que queria, o que seria, o que se seguiria. dizer-te que quando apareceste, eu não pensei que fossemos o que somos hoje mas que quando olho para trás sinto que fizeste parte de tudo o que sou hoje e de que me orgulho muito.
durante os últimos quatro anos, assististe de perto, bem perto a toda a minha vida. és a pessoa em quem mais confio, mas não entendes. és a pessoa que me tem (de todas as mais bonitas formas de ter outro ser humano). mas não vês isso. nos últimos quatro anos mudei de emprego 3 vezes. mudei de casa. perdi 50kg. entrei e saí do mestrado. terminei a minha licenciatura. hoje em dia, tal como tu, tenho dois empregos que me ocupam 80% do meu tempo. e mesmo assim estás sempre por perto, quero-te sempre por perto. já te disse, mas escrevo, és uma motivação diária para mim, és um exemplo que quero seguir, mas não entendes nem vês isso.
aprendi com os meus pais que existem mil formas de amar, e de demonstrar amor. ensinaste-me muito. muito, muito, muito. com atitudes, com palavras, com momentos, mas sobretudo com exemplos. sou das que ama com palavras. com gestos. com tempo. com disponibilidade. com lealdade. (esta ultima não aprendi não aprendi de ti 😜, mas deve ser a única.).
admiro em ti aquilo que és. física e psicologicamente. gosto da parte és que és a parte boa disto tudo. gosto da parte em que, contigo, não tenho muito que pensar.
deixa-me dizer-te só mais uma vez: já estive em fases tão más e tão negras da vida. já perdi pessoas que amo. já tive a autoestima tão em baixo, mas tão, tão em baixo, que dependia de alguém para sair à rua. para ir às compras, para ir a uma loja. para ir à praia ou ao parque. sabes o que isso é? já me importei tanto com o que pensavam de mim, com o que estava a acontecer à minha volta. e no dia em que decidiste entrar na minha vida, eu estava de rastos, tu não sabias, não soubeste. mas estava.
toda a tua situação e no fundo, a nossa. ensinou-me a ser independente, a ser livre, a ser eu, por um motivo: a pessoa que eu mais queria ter ao meu lado, simplesmente, não estava disponível. e eu aprendi a viver com isso. tanto que decidi criar esta versão de mim: maior parte do tempo feliz, maior parte do tempo animada, maior parte do tempo a cuidar de mim, maior parte do tempo ocupada, maior parte do tempo a ouvir o que o meu corpo me quer dizer.
acho que não tens entendido a obsessão com o ginásio e alimentação. não tens entendido que me sinto melhor na minha pessoa (ainda que contigo fraqueje quase sempre). não paras nunca para pensar que se o que quisesse fosse largar-te já o teria feito. custa-me que tenhas essa insegurança, e perdoa-me que nem sempre saiba lidar com ela. custa-me que não te vejas com os olhos que eu te vejo. que não te adores como te adoro.
já te disse tantas vezes, e hoje escrevo-te: tens uns olhos lindos (os mais lindos que já vi e já tive tão perto). tens um sorriso que me derrete, e um corpo que me, só de olhar.. tu já sabes não é? e mesmo as tuas mãos, os teus dedos, quando me agarras, quando me tocas, as tuas mãos levam-me para outro sitio, um sitio bom e que me faz esquecer o resto.
amor, sobre o resto: é só isso mesmo. um resto. tu és tu. e todo o resto, é resto, e não há mais nada que possa dizer, ou fazer que te faça confiar em mim.
