quarta-feira, 11 de maio de 2022

dizer-te

dizer-te que muitas vezes sinto vontade de te escrever. dizer-te que quando apareceste, eu era outra adelaide. uma adelaide que hoje não reconheço, maior parte do tempo. estava quebrada, dependente, sem saber bem o que queria, o que seria, o que se seguiria. dizer-te que quando apareceste, eu não pensei que fossemos o que somos hoje mas que quando olho para trás sinto que fizeste parte de tudo o que sou hoje e de que me orgulho muito.

durante os últimos quatro anos, assististe de perto, bem perto a toda a minha vida. és a pessoa em quem mais confio, mas não entendes. és a pessoa que me tem (de todas as mais bonitas formas de ter outro ser humano). mas não vês isso. nos últimos quatro anos mudei de emprego 3 vezes. mudei de casa. perdi 50kg. entrei e saí do mestrado. terminei a minha licenciatura. hoje em dia, tal como tu, tenho dois empregos que me ocupam 80% do meu tempo. e mesmo assim estás sempre por perto, quero-te sempre por perto. já te disse, mas escrevo, és uma motivação diária para mim, és um exemplo que quero seguir, mas não entendes nem vês isso.

aprendi com os meus pais que existem mil formas de amar, e de demonstrar amor. ensinaste-me muito. muito, muito, muito. com atitudes, com palavras, com momentos, mas sobretudo com exemplos. sou das que ama com palavras. com gestos. com tempo. com disponibilidade. com lealdade. (esta ultima não aprendi não aprendi de ti 😜, mas deve ser a única.). 

admiro em ti aquilo que és. física e psicologicamente. gosto da parte és que és a parte boa disto tudo. gosto da parte em que, contigo, não tenho muito que pensar. 

deixa-me dizer-te só mais uma vez: já estive em fases tão más e tão negras da vida. já perdi pessoas que amo. já tive a autoestima tão em baixo, mas tão, tão em baixo, que dependia de alguém para sair à rua. para ir às compras, para ir a uma loja. para ir à praia ou ao parque. sabes o que isso é? já me importei tanto com o que pensavam de mim, com o que estava a acontecer à minha volta. e no dia em que decidiste entrar na minha vida, eu estava de rastos, tu não sabias, não soubeste. mas estava. 

toda a tua situação e no fundo, a nossa. ensinou-me a ser independente, a ser livre, a ser eu, por um motivo: a pessoa que eu mais queria ter ao meu lado, simplesmente, não estava disponível. e eu aprendi a viver com isso. tanto que decidi criar esta versão de mim: maior parte do tempo feliz, maior parte do tempo animada, maior parte do tempo a cuidar de mim, maior parte do tempo ocupada, maior parte do tempo a ouvir o que o meu corpo me quer dizer.

acho que não tens entendido a obsessão com o ginásio e alimentação. não tens entendido que me sinto melhor na minha pessoa (ainda que contigo fraqueje quase sempre). não paras nunca para pensar que se o que quisesse fosse largar-te já o teria feito. custa-me que tenhas essa insegurança, e perdoa-me que nem sempre saiba lidar com ela. custa-me que não te vejas com os olhos que eu te vejo. que não te adores como te adoro. 

já te disse tantas vezes, e hoje escrevo-te: tens uns olhos lindos (os mais lindos que já vi e já tive tão perto). tens um sorriso que me derrete, e um corpo que me, só de olhar.. tu já sabes não é? e mesmo as tuas mãos, os teus dedos, quando me agarras, quando me tocas, as tuas mãos levam-me para outro sitio, um sitio bom e que me faz esquecer o resto. 

amor, sobre o resto: é só isso mesmo. um resto. tu és tu. e todo o resto, é resto, e não há mais nada que possa dizer, ou fazer que te faça confiar em mim. 

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