domingo, 31 de agosto de 2014

Uma operadora de caixa

"Se faz sentir, faz sentido"
Ninguém gosta de trabalhar. Eu gosto. Mas entendam que nem eu nem qualquer um de nós somos pagos para más disposições, faltas de educação e problemas alheios: somos humanos e temos os nossos. Nem eu, nem sequer o diretor, minha gente: ninguém, sabe todas as promoções de uma loja enorme e altamente qualificada como é, de facto o continente. Prezamos pela boa disposição, pelo atendimento personalizado, pela simpatia e compromisso com o cliente e prezamos sobretudo pelo nosso posto de trabalhl que a todo o momento está em risco e é posto à prova. Os colaboradores são isso mesmo: colaboradores, aquilo que nos é exigido é nada mais nada menos que a perfeição, o rigor no trabalho, o saber estar e o saber fazer. "Dar o exemplo não é uma forma de educar, é a única". Tenho exemplos fantásticos dentro daquela empresa, exemplos que me construíram e constroem todos os dias. Somos uma equipa e existe algo que permanece entre todos nós: espírito de trabalho, vontade de nos superarmos a cada dia mais, mas a cima de tudo: respeito. "Peço-lhe, nesse caso, que se dirija ao balcão de informação e tenho a certeza que o vão poder ajudar. Da minha parte penso que é tudo, muito obrigado pela sua visita e tenha um ótimo fim de semana."
Não sou mais do que isso: simpatia e disponibilidade. Não sei (nem quero saber) se os vinhos têm desconto, se as batatas fritas estão a leve dois pague um, quanto mais o preço de um artigo individual. O máximo que está ao meu alcance fazer é "peço desculpa, vamos já confirmar com o colega da secção" ou "isso podemos desde já verificar, tem consigo o sei cartão cliente?(...) sim, de facto está com o desconto para o cartão". Lamento e sei que a vida está cara que "é a crise" que temos que olhar pela vida, que todos pedem desculpa e lamentam... mas não é sempre que me apetece sorrir nem é sempre que me apetece entregar-lhe o cartão na mão nem é sempre que me apetece desejar-lhe um otimo fim de semana, mas sabem?: faço-o sempre! Porque é o meu trabalho mas a cima de tudo: essa é a politica da nossa empresa e é por mim, mas por essa política que sorrio sempre, que desejo sempre um otimo fim de semana, que (...).
Agora vendo revistas: detesto vendas diretas, não tenho jeito e ouvir um não como resposta é sempre frustrante, mas faço-o, pela loja, por mim, pela empresa, mas a cima de tudo pelo desafio que é.
Entendam que cada um de nós em 8h de trabalho faz cerca de 6mil euros: se cada cliente gastar 100€ que não é o que acontece, atendemos cerca de 60 clientes por dia e uma conta de 100€ meus amigos... uma conta de 100€ é lenta, dolorosa e cansativa vezes sessenta!... mas o sorriso está lá ao fim do dia, o sorriso está sempre, sempre lá... ao fim de 8h de pé, ao fim de 59 clientes longos e dolorosos o sorriso está lá... para vocês, por vocês!
Entendam que somos humanos e que depois de receber o seu talão vai para casa, nós vamos continuar lá, mesmo que a sua compra tenha corrido mal, o tapete vai continuar a correr, e nós não mudamos o vosso dia, mas um atrito convosco, muda até a nossa noite!...

Por isso a próxima vez que for a uma loja, que usufruir de um serviço direto e personalizado, sorria, aceite o cartão dado na mão, questione tudo, estamos lá para si, mas se não soubermos o preço de um pacote de arroz de cor, se nos esquecermos de perguntar se quer fatura ou se o colega da secção demorar muito: perdoe-nos... o nosso sorriso vai estar sempre lá para si!...

Agradecemos a preferência, ADELAIDE ISABEL

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Conversas.

-tens saudades dele?
-sinto muito a falta dele...
-não falaram mais?
-não...
-mas tu queres falar?
-todos os dias a todas as horas...
-e nao falas porquê?
-cresci..
-e ele?
-continua lá à espera que ela venha morar para aqui, sim porque parece que ele acredita no amor e numa cabana... quer dizer... continua à espera que ela venha se é que ela já não veio...
-e tu deixas que as coisas sejam assim? Não fazes nada?
-que posso eu fazer? Sim...que posso eu fazer?
-costumavas lutar adelaide...
-nunca foi nada sério entre nós... nem sei se para ele chegou a ser fosse o que fosse.. não tenho mais nada a fazer... nada mais a fazer a não ser esperar...
-esperar?
-esperar que ele esteja com ela, que a beije e que a agarre e que perceba que comigo era diferente e era melhor... como qualquer mulher louca por um homem, esperar que ele me veja nela e que perceba que é de mim que gosta...
-boa.. e se isso não acontecer?
-nunca acontece... eu já segui em frente sabes.. desta vez não parei para sofrer
(...)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Esta sou eu, sem ti, meu amor, sem ti

Vou escrever-te em voz baixa, que é aquela que usamos quando mais queremos que nos ouçam.
Meu amor, este ano foi, provavelmente, o melhor ano da minha vida, tenho um trabalho e, por isso, um ordenado,  tenho uma carta de condução,  tenho o secundário terminado, tenho uma família linda, completa e saudável, tenho amigas que fazem com que as férias sejam incríveis, tenho uma taça de campeã regional, tenho um carro que é meu e no entanto,  meu amor, não te tenho. Tantos bons motivos para sorrir menos o maior, meu amor, tu. As pessoas na rua olham para mim mas, meu amor, eu não as vejo, desde o dia 13 de Junho que não vejo ninguém. Meu amor, não entendes?  Ninguém me olha como tu olhavas ninguém me tem como tu tiveste e, meu grande, grande amor, ninguém me faz feliz como tu soubeste, em tempos, fazer. Sabes onde durmo? Na cama onde te deitei comigo, na cama que é minha e que uma ou duas vezes foi nossa...
Estou tão magoada contigo, tão mas tão magoada com isto tudo... sou feliz todos os dias e quando te lembro..meu amor, quando te lembro são ferros a arder que me espetam no peito. São saudades, são pensamentos diferentes, são planos e remorsos, são dramas e filmes, são tristezas intermináveis que todos atenuam e ninguém cura. Ninguém meu amor, ninguém cura.

"Ninguém mais faz palhaçada p'ra te ver sorrir, ninguém vai-te abraçar pra ver o sol se pôr, ninguém vai escrever no muro uma história de amor"

Adelaide Ferreira

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

a dualidade de nós

estou a exatamente um passo de poder ter tudo aquilo que sempre quis, consegui, finalmente, o secundário acabou, mas e tu? sim, e tu meu grande amor? E o teu meio plano de vida? E a faculdade? E o curso que querias, e a merda da matemática que te fez perder mais um ano?
Agora sou isto, príncipe, uma meia felicidade, um meio termo, porque não te tenho comigo, porque não podemos festejar juntos... Há um ano, com a doença da minha mãe, com a minha (a nossa) reprovação, foste tu quem me deu força e mesmo ontem, antes de sabermos as notas me acalmaste:
-quando voltas?
-segunda-feira
-então terça vamos jogar volei?
-achas? prepara já a lápide: Aqui jaz António Teixeira, 1996 - 2014, morreu porque reprovou 2x no 12º.

e agora quem é que vai tornar a escola num sitio melhor? agora quem é que me vai levar à paragem? quem é que vou levar a casa depois da aula chata da manhã, quem vou beijar como se nunca tivesse beijado antes? com quem vou discutir por tudo e por nada? Miudo, eu gosto tanto, tanto de ti!