Vou escrever-te em voz baixa, que é aquela que usamos quando mais queremos que nos ouçam.
Meu amor, este ano foi, provavelmente, o melhor ano da minha vida, tenho um trabalho e, por isso, um ordenado, tenho uma carta de condução, tenho o secundário terminado, tenho uma família linda, completa e saudável, tenho amigas que fazem com que as férias sejam incríveis, tenho uma taça de campeã regional, tenho um carro que é meu e no entanto, meu amor, não te tenho. Tantos bons motivos para sorrir menos o maior, meu amor, tu. As pessoas na rua olham para mim mas, meu amor, eu não as vejo, desde o dia 13 de Junho que não vejo ninguém. Meu amor, não entendes? Ninguém me olha como tu olhavas ninguém me tem como tu tiveste e, meu grande, grande amor, ninguém me faz feliz como tu soubeste, em tempos, fazer. Sabes onde durmo? Na cama onde te deitei comigo, na cama que é minha e que uma ou duas vezes foi nossa...
Estou tão magoada contigo, tão mas tão magoada com isto tudo... sou feliz todos os dias e quando te lembro..meu amor, quando te lembro são ferros a arder que me espetam no peito. São saudades, são pensamentos diferentes, são planos e remorsos, são dramas e filmes, são tristezas intermináveis que todos atenuam e ninguém cura. Ninguém meu amor, ninguém cura.
"Ninguém mais faz palhaçada p'ra te ver sorrir, ninguém vai-te abraçar pra ver o sol se pôr, ninguém vai escrever no muro uma história de amor"
Adelaide Ferreira
Sem comentários:
Enviar um comentário