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domingo, 21 de fevereiro de 2021
"Isso para mim é bom, porque sei que vais fechar os olhos e vais lembrar de mim"
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
o sitio mais seguro do mundo
costumava ser no teu colo. entre a tua perna e a tua mão enrugada. costumava ser nas tuas palavras. costumava ser nos teus olhos infinitos e brilhantes. o sitio mais seguro do mundo. era o nosso quarto. era no teu cheiro. era nas coisas certas que me dizias. nas outras que acertavas e que nem por um segundo achei que fosse por acaso. era nas vezes em que me dizias: "olha para mim. estiveste a chorar?". e eu nem sabia o que era chorar. a sério. há uma parte de ti, que vai habitar em mim. por tudo o que foste. por tudo o que me deste. durante muito tempo, tive muito medo de te esquecer. mas lembro-te sempre. lembro-te na dificuldade em que tenho em adormecer. lembro-te na dificuldade que tenho em manter-me desperta. lembro-te nas viagens que parecem infinitas. lembro-me quando estou - conscientemente - a errar e sei que me estás a ver. tenho saudades tuas. é uma saudade quase tão infinita quanto os teus olhos. há qualquer coisa nos anos em que não viveste, em que não te tive que me faz querer morrer. que me faz querer ver-te. de novo. há qualquer coisa superior que me faz ir andando, ir estando, ir vendo. acho que és tu. a sussurrar-me constantemente que há qualquer coisa diferente, que há qualquer coisa melhor. se foste a minha pessoa durante tantos anos. agora és o meu sussurro quando a vida não vai tão certa. e acredita que há muito, muito tempo, que não vai certa.
amote. como se ama poucas pessoas na vida. e tu ainda és a minha pessoa. agora o meu sussurro.
Adelaide Ferreira
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
what kind of man that you are, if you're a man at all.
chegas. queres. tens.
e se calhar fui eu quem te habituou mal. cala-te parva. e pára de te culpar por tudo. se calhar fui eu que vesti uma roupa que não era apropriada. ou dei a ideia errada. se calhar fui eu que dei a entender que podia ser mais do que aquilo que é. se calhar o ter-me sempre sujeitado até aqui, deu a entender, por algum motivo, ou erro, que me ia sujeitar sempre.
o que eu sinto é o que eu sinto. ponto. mais um ponto. e se sinto que não tenho que agradar, então não agrado. até aqui agradava. hoje não. até tive um dia de merda. mais um. errada por achar que é alguém do teu género que vai tornar os dias mais fáceis. talvez já tenha sido mas agora já não será mais.
o problema da maior parte dos homens - na realidade... de todos os homens que conheci até hoje. sim, todos. sem exceção. nunca conheci uma exceção (e tenho pai, e tenho irmãos). é esquecerem-se que têm irmãs, filhas, mães. é não terem inteligência ou sensibilidade suficiente para porem a mulher que destratam no lugar de uma mulher que gostem. para pensarem mais e melhor sobre este assunto. não é só por ser mulher que merece ser tratada com respeito, com carinho, com dignidade e atenção, é e s p e c i a l m e n t e por ser mulher que assim tem que ser.
ai. que dramática. still need to be saved. all heroes apply.
Adelaide Ferreira
