dizer-te que talvez não estivesse preparada. que talvez ainda não esteja. que custa mais ao fim do dia do que de manhã cedo. que custa mais ao fim de semana do que ao longo dela. que não estou muito ou minimamente preocupada com quem está à porta. a impedir a passagem. que não me lembro de quando é que comecei a sentir isto. mas sinto. que na generalidade dos dias o que sinto é raiva. e que estou sozinha. e isso é provavelmente a melhor coisa que tenho neste momento: eu.
dizer-te que não sei onde começou tudo isto. mas que aprendi que quando não se dizem palavras, é porque não se têm palavras. aprendi que atitudes valem mais do que palavras. aprendi que não é justo, nem compensa acreditar em meia dúzia de palavras vazias. dizer-te que desaprendi a gostar de ti. desaprendi a viver nas tuas ausências e faltas de tudo. dizer-te que não te desejo mal. nem bem. dizer-te que pior do que te odiar é não sentir absolutamente nada. dizer-te que as minhas palavras estão gastas. dizer-te que não insisto. dizer-te que, outra vez, que não me interessa. dizer-te que eu precisei tanto, tanto, mas tanto de ti. dizer-te que me lembro dos tempos em que se acontecia alguma coisa menos boa eu pensava "não tem problema porque quando eu estiver com ele vai passar tudo", "não tem problema porque eu vou-lhe contar e vai custar menos". dizer-te que deixei de achar que podias resolver todos os problemas do mundo. deixei de achar que eras porto seguro. deixei de sentir que o melhor sitio do mundo era ao teu lado.
dizer-te que não lamento, outra vez: não me interessa.
adelaideferreira
Sem comentários:
Enviar um comentário