sábado, 24 de novembro de 2012

sinto-me hoje outra, sinto-me hoje diferente.

Em dezassete anos de vida, nunca duvidei da grandiosidade do Homem, nunca duvidei que tão ágil animal fosse capaz das mais complexas tarefas. Pois digo-vos que hoje, conclui sobre a beleza das coisas. Nunca em tal momento anterior a este dia, pude sentir nas mãos, e a cima de tudo nos ouvidos a beleza pura que nas mãos do Homem teve génese... Se vos pudesse fazer ouvi-la... ah... se eu pudesse... Perfeita desde o traço até à imagem que a cobre, perfeita no tom e no toque, perfeita na cor e no material, italiano, escreva-se.
Pois soubesse eu outrora que tão desconhecida melodia me aliviava a dor com que me deitei e com que acordei, jamais sentiria dor. Chame-lhe ele realejo, e eu caixa de música, o que é certo, é que como a partir de hoje a mim pertence, à minha mãe pertenceu, e a alguém que hei de amar muito pertencerá.

E diz na caixinha «Romeu et Julitte», e se por um Romeu foi oferecida a uma Julieta, vais valor tem agora. Olho-a de quando em vez, ouço-a sempre, já lá vai quase meia hora. Transporta nesta doce melodia, uma tristeza imensamente profunda, que me faz sofrer, e que me cura de segundo em segundo, não nego que me faz lembrar o amor, não nego que me faz lembrar a paixão, não nego que quase me faz chorar, digamos que ao mesmo tempo, me impede de chorar. Dito fica que de cada vez que a abro, é como se o mundo parasse, e a garagem fosse um paraíso, ah...! Doce e efémera loucura, que contigo quase desvaneço e não sei quem sou !

Por fim, que fique escrito e registado, que consigo trás uma chave e não é visível o cadeado, mas tal peça um dia pertencerá aquele que de verdade me amar, e que isto tatuar no dedo. A doce caixa é o meu coração, a pequena chave, aparentemente insignificante, representa isso mesmo... uma chave com o poder de abri-lo. Confiar-la-ei a quem digno se mostrar.

Onde estás Romeu?

A para sempre tua,

Julieta.
 

Sem comentários:

Enviar um comentário