apesar de hoje, neste preciso momento, acreditar mais no aposto... sinto uma dor incrível .. e que tem mesmo que ser mesmo registada... ainda achas que vais continuar a acalmar-me? POR FAVOR !
a história que hoje conto já não envolve príncipes nem princesas, não envolve um vilão, mas vários, não envolve uma linda história de amor em que no fim «viveram felizes para sempre»
Eu era frágil aos olhos dele... eu tinha sofrido e ele sabia, ele era o miúdo dos meus sonhos, mas eu não sabia... Ele passou um verão inteiro ao meu lado, e sabia como me fazer rir, e sabia (e sabe) como e onde apertar para me fazer vacilar... EU TAMBÉM sei... se não o fizemos da maneira mais brutal ainda, é porque ainda nos respeitamos o suficiente !
Ele era tudo o que eu queria, e nunca soube que tive, ele era incondicional e intemporal e sempre que eu caia ele estava lá... e assim foi até ao dia em que tudo mudou !
Comecei a sentir-me diferente, comecei a querer mais dele, a achar que aquilo que tínhamos não era suficiente (miúda parva e ingénua) e então, da maneira desajeitada que só eu e ele conhecemos, olhei-o nos olhos e disse entre beijos que na altura ele ainda suportava, a palavra-resumo que mesmo assim não continha nem metade do que estava a sentir naquele momento (sei-o, e lembro-o de cor, como se tivesse sido ontem) EU AMO-TE, e se há coisa de que me lembro com muito orgulho e carinho são os olhos dele naquele segundo, e o que disse a seguir, e o que significou para mim (e para nós) aquela noite, e o que significou para nós aquele começo....
Desculpem, enganei-me... voltemos atrás, só um bocadinho... ele cansava-me com tantos beijinhos, cansava-me por me estar sempre a agarrar, e depois orgulhava-me por me vir trazer a casa à noite, por me ir buscar à paragem à hora de almoço, por entrar naquela paragem e vir na minha direcção, e dizer: «bom dia»... já nessa altura era tudo muito especial, sem eu querer, sem eu sentir...
Lembro-me que me chamava «trenga» e «miúda» e «bézinha» e eram os melhores nomes que alguma vez alguém me tinha chamado, lembro-me que me agarrava na cara (por baixo do queixo, quase nos lábios) e me dizia: «Não percebes? Não percebes que o que eu mais quero é isto?» e não... realmente eu não percebia... realmente eu não queria perceber...
Todas as noites era um príncipe para mim(e eu era a sua princesa), caminhava até aqui, trazia-me sempre alguma coisa, uma chiclete, um beijo mais doce, um sorriso mais feliz, e éramos felizes até ele ter que ir embora... aaah, se éramos... acho que nunca tinha sido tão feliz antes... mesmo quando o verão acabou... ele sabia todos os meus sonhos, sabia todas as minhas disciplinas e as notas que eu tinha a cada uma delas, sabia os dias dos testes e sabia como me acalmar... sabia como percorrer a escola inteira, só para vir ter comigo... sabia como adormecer ao telemóvel comigo, sabia como gastar todos os minutos com a miúda parva por quem ele tinha uma paixoneta, e foram esse tipo de atitudes que fizeram as borboletas começar, que fizeram o amor crescer... que fizeram com que eu fosse capaz de estragar tudo no dia 26 de Janeiro.....
Continuemos. Muito tempo depois, três meses depois, mais uma vez a minha maneira desajeitada de fazer as coisas fez com que começássemos a pertencer oficialmente um ao outro. E ele continuou assim, um sonho para mim, perfeito e sublime, doce e ténue...
Mas como nos filmes de Hollywood, as coisas acabam sempre por mudar... e a nossa história mudou...e eu deixei que mudasse... deixámos...
Tu já não dizes que o teu maior desejo são os meus lábios, antes pelo contrário, tu já não vens aqui com o teu sorriso gigante à noite, já não chegas cedo como chegavas antes, tu já não preferes estar comigo do que com os teus amigos, tu já não me trazes uma chiclete, já não me chamas «trenga», nem «bézinha», já não me agarras o dia todo, já não me tentas roubar beijinhos quando menos espero, já não me trazes a casa, já não me levas à escola, já não sabes que disciplinas tenho nem que notas vou ter, já não sabes os meus sonhos nem sequer aqueles que partilhava contigo, já não me olhas como se eu fosse tudo para ti, porque afinal, não sou, já não me agarras como agarravas, já nem sequer me querias beijar (...)
e por isso mesmo, a história acabou...
Espero que saibas viver, e que saibas ser feliz, e que estejas melhor agora, que já não te chateio a toda a hora e que «penso o que eu quiser», espero que a tua amiga a quem gosto de chamar ***** te faça feliz...
Um beijinho (daqueles intensos que dávamos quando eu não te cansava),
Adelaide Ferreira
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