Hoje não desejei "Feliz Natal" a ninguém... porque não o é... Sei que a minha mãe está viva, e feliz, sei que o Gabriel é a luz de tudo isto, sei que se ele não existisse as coisas estavam bem mais tristes... Há um ano fiz uma birra enorme para o Paulo poder estar connosco e preferir-nos à Patricia, aconteceu que ele cedeu, e a Patricia veio cá passar o Natal connosco, e ficou cá no dia seguinte. Queres o ponto da situação?
São 22:46h, segundo o meu computador, o Paulo não está, a Patricia também não, a tua mãe, Padrinho, veio cá passar a noite, não me reconheceu... não sabia o meu nome nem sequer que sou tua afilhada, e tu? Se estivesses aqui, deixavas-me sentar no teu colo e agarrar no teu bigode? Se o teu coração não te tivesse levado naquele dia (que a propósito lembro como se fosse hoje) ainda vinhas cá e eras o melhor amigo do meu pai, para sempre?
Levaram-lhe tudo, a mãe, tu, e depois o pai... em dois anos o meu pai perdeu tudo aquilo que o fazia viver, e eu vi-o mudar, e hoje assisto a esta depressão em que ele se meteu... não contou anedotas, não se riu, não comeu tudo, não chamou ninguém para o ver fazer "a receita", não pediu nada a ninguém, e só comprou prendas para o Gabriel...
A meia noite vai ser assim: Daqui a 10 minutos a Marina vem-me chamar, vamos dar duas prendas ao Gabriel, e eles vão embora, a mãe está na cama, porque fez quimioterapia na segunda feira, e vê-la destruir-se à minha frente são facas que me espeta no peito... nem o bacalhau, nem a meia-noite, nem o dia seguinte, algum dia hão de saber aquilo que sabiam quando eu tinha a idade do G, quando tu estavas presente ou depois... quando fiz 11 anos e tu partiste....
A Dona Adelaide (às vezes esqueço-me que também ela tem o mesmo nome que eu, ou ao contrario..) tinha um pendente ao peito com uma foto tua... apeteceu-me ter os joelhos enormes mais uma vez, poder sentá-la no meu colo e dizer-lhe que sou tua afilhada, que te amo e que todos os dias quando olho para a tua foto na minha parede, morro de saudades... é sempre pior quando nos atacam a nós, não é?...
Há algo que quero que saibas.... o Pai não controla as lágrimas quando me fala de ti e da avó, não se contém quando lhe pergunto como eras, ou como ele amava a avó...
Imagino-vos sentados um ao lado do outro, aí num sitio onde nem eu sei onde é... Tomem conta de mim pf, olhem por mim e cuidem disto que não tem sido fácil, o Gabriel tem as tuas bochechas vó, tem a tua alma.
PS: És o meu orgulho mano... tenho saudades tuas e lamento (muito, muito, muito) que não estejas cá hoje...
PPS: Obrigada ao Tó, que nem sequer me desejou Feliz Natal... Obrigada a mim, porque percebi, finalmente aquilo que valho ou não para ele...
Adelaide Ferreira, 00:52h
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