segunda-feira, 22 de outubro de 2018

tu, nininho

vou escrever-te numas quantas coisas que não sabes - mas que desconfias. vou escrever-te em voz baixa, que é a voz que utilizamos quando mais precisamos que nos ouçam. não era suposto. não era suposto eu ter-me envolvido contigo. não era suposto ter chegado onde chegou. não era isto que queria para mim. nunca foi. 
sei como e porque começou. ninguém me convence do contrário. nem tu. sei que essa sede infindável que tens me fascina. essa sede infindável de prazer muito semelhante à minha, que me fascina. sei que não pude evitar, mas que tentei. durante muito tempo tentei. não te quis sempre, não por saber que não te podia ter, mas por ter um coração tão pequeno e tão quebrável. 

antes de mais quero que saibas que gosto realmente de ti, que sinto realmente a tua falta, a tua ausência. sinto realmente vontade do teu sorriso, vontade de ti, vontade de nós. que saibas que contigo, é como nunca foi com alguém antes, porque não planeei, não quis, não esperei. soube antes de tudo, da tua condição e mesmo quando a consciência pesa mais, não consigo evitar ter-te, querer-te, desejar-te!... não tenho o direito pois não? não tenho o direito. 

acredito no destino. acredito que de uma forma ou de outra eu e tu estava escrito. de uma forma ou de outra seria assim, mas nem nos momentos menos bons da minha vida imaginei que algum dia ia encontrar alguém como tu. 
tenho dificuldade em confiar nas pessoas, não acredito com facilidade seja no que for que me digam. o mesmo acontece contigo, talvez, só talvez, não por culpa tua, mas por causa de todas as circunstâncias. vejo-me muito nas costas dos outros sabes? nunca me achei especial. nunca me achei melhor que alguém e por isto tenho consciência de tudo o que acontece "aos outros" me pode igualmente acontecer a mim. 

corro o risco de me repetir, mas gosto de ti. muito. talvez nunca te tenha dito mas tens uma forma muito tua de me fazer feliz. não sei estar perto de ti, mas também nunca me soube afastar. não sei evitar os arrepios a cada beijo teu. não sei escolher outra boca que não a tua. outras mãos pequeninas que não as tuas. outros olhos verdes que não os teus. outro sexo que não o nosso. sei que quando isto acabar, quando tu acabares com isto o que vai ficar são momentos e saudades. e prometo que só vou chorar um pouquinho à tua frente. prometo que te deixo ir, assim como te deixei entrar. nunca questionei o teu aparecimento, a tua chegada, a tua permanência na minha vida nos últimos 8 meses, sim oito meses. duvidei sempre. mas no fundo, confiei sempre em ti e na tua capacidade de gerir as coisas. perdoa-me se algum dia eu mostrar que não sei gerir tudo tão bem quanto tu.
Gosto de ti. Como me ensinaste a gostar. Sem exigências, perspectivas, sem vontade de te largar.


21:05h
Adelaide Ferreira 

Ps: sei que vais ler este com mais carinho do que vais ler os outros, porque este é teu, sobre ti. sobre o que me fazes ser. E escrevi-o hoje, a pensar em ti, depois do último encontro, e porque sei que és teimoso o suficiente para encontrar este blog. 

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