segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

foi uma benção conhecer-te...




Dizer-te antes de mais, que te escrevo da cama onde fizemos amor. dizer-te o que não te disse nesse dia, que o meu quarto ficou a cheirar ao teu perfume, que me apeteceu viver nele para sempre. mudei tanto no último ano.escrevo-te antes de ir estudar para o exame de amanhã - que tu provavelmente não sabes que existe, porque tu provavelmente não quiseste saber e porque eu provavelmente não te quis aborrecer - e porque o resto das coisas quando tu não estás, são exatamente isso, um resto. por falar em resto... sabias que às vezes me sinto um resto?... sabias que eu, meu amor, eu. me tornei naquilo que nunca disse que seria, que me pus numa posição que em nada me favorece e que a cada dia que passa isso me faz pensar mais e sentir-me pior?dizer-te que às vezes, só às vezes me sinto tão usada quanto me sinto realmente tua. dizer-te que em noites como a de hoje me custa não poder ir contar-te o que aconteceu no trabalho e não poder partilhar contigo a parte pequena da vida. dizer-te que sempre li melhor do que ouvi. dizer-te que acredito mais nas palavras e na força que têm no sentido mais literal do que acredito noutras coisas mais banais. já sofri tanto, tanto, tanto. não achei que ias mudar a minha vida, nunca achei que - como te disse há uns meses - ias ter o dom de me partir o coração, mas tens. tens o meu coração nessas mãos pequeninas que não adoro. achas que dão conta do recado? que cliché. procurei sempre alguém que fizesse o meu coração bater mais rápido quando vejo e mais devagar quando sinto e nunca achei que tinhas isso escrito em ti e na tua pele. a tua pele. a tua alma. quero dizer-te que gostava de conhecer a tua alma como tu conheces a minha. quero dizer-te que é exatamente como dizes - há muito tempo que já não fodemos. há muito tempo que só sei fazer amor contigo. fazer amor contigo. não achei que voltasse a fazer amor tão cedo. não achei que pudesses sequer tocar no meu coração, fará na minha alma.se bem te conheço - e sei que mal te conheço -  nesta altura da leitura estás a pensar: "que miúda mais paneleirenta. porque me meto nisto?". não te sei responder. mas sei que o que sinto por ti me faz perder o fôlego e ultimamente me faz perder a cabeça a pensar que também eu, não sei porque me meto nisto. comecei isto, para te pedir que não jogues comigo, que não brinques com o meu coração. que aproveites, mas que não me iludas... miúdo... eu gosto tanto de ti!... mas acredita que gosto do meu coração inteiro.tenho mil medos em relação a ti e a nós. um deles é que quando a próxima adelaide te perguntar sobre mim, tu já não saibas o meu nome. já não saibas lembrar-te das coisas boas. já não saibas dizer se alguma vez fui especial. dizer-te que nunca me pus nesta situação sem te conhecer. dizer-te que não sei o que fizeste antes e muito provavelmente não sei o que farás a seguir. que cada vez que és mais simpático ou mais querido e me pedes que acredite em ti a minha maior vontade é saber quantas vezes na vida já disseste isso. quantas vezes já sentiste o que me dizes.  nunca gostei de situações constrangedoras. acho que ninguém gosta.  mas nunca te quis colocar nessa posição. por isso nunca quis saber muitos pormenores. nunca te quis acusar de nada, também por não ter esse direito e sobretudo nunca quis que te sentisses culpado fosse do que fosse - também porque não o és.se puder pedir algo, se me deixares. peço-te que sejas sensato. que não me enganes. não me iludas e que independentemente da situação sejas sempre sincero comigo. pedir-te igualmente que não digas coisas que não sentes. coisas que não são verdade. coisas que sabes que podem mexer comigo e acelerar o processo de me partir em mil pedaços. eu perdoo-te quando dizes que és meu e ambos sabemos que mentes. nunca quis que fosses. porque te respeito. porque sempre tive a noção da realidade e ainda não a perdi. perdoo-te as palavras que ainda hoje ecoam na minha cabeça que ainda hoje me destroem como naquela noite.hoje não há beijos. também não me deste praticamente nenhum. 

"não há benção como conhecer-te, teu eternamente!...."

adelaide ferreira, 1:40h

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