segunda-feira, 8 de agosto de 2022

diário da tua ausência #1

 voltou. não pensei que fosse tão cedo. tão rápido. mas voltou. depois do que aconteceu, achei que te ia odiar por tempo indeterminado. que ia guardar no meu coração a tua imagem revoltado, os teus olhos de raiva, a tua agressividade. achei que ia sentir me para sempre de consciência tranquila. que depois daquela madrugada, acontecesse o que acontecesse e durante tempo indeterminado te ia odiar. mas, mais uma vez, tu chegaste perto, e sabes que quando chegas perto, eu não te sei resistir, não te sei mandar embora. e a dor no peito voltou. só que diferente: agora já não posso partilhar a minha dor contigo. já não podemos chorar juntos e ajudar-nos mutuamente. agora já não podemos descobrir o caminho para sairmos disto juntos, como entramos. 

foi um dia leve. mas não te liguei às hora de almoço, nem tu a mim. não te contei as nóias da minha chefe. não te falei sobre os meus clientes chatos. não te contei o que disse nem o que fiz. não tive pressa de vir para casa depois do trabalho, sabia que não isso estar. 

sou ridícula não sou? mudei de marca de café porque a que tinha me fazia lembrar de ti. deitei o açúcar fora porque quando o comprei, foi a pensar em ti. jurei que para sempre nesta casa só se toma café sem açúcar. 

prometeste que este sentimento ia passar. e eu acreditei em ti como sempre acreditei nos últimos 4 anos. cada dia será só mais um até não sentir absolutamente nada. 

ensinaste me a amar. aquele amor maduro. ensinaste me sobre intimidade. ensinaste me sobre lealdade. ainda não consigo lembrar me só das coisas boas. mas pelo menos se me esforçar, a imagem que guardo tua é dos teus olhos verdes grandes a olharem para mim na minha sala. e eu tão destruída por dentro, e tão senhora de mim por fora. 

ainda te amo como se ama 1 vez na vida. mas isso não interessa e tu prometeste que ia passar. 


Adelaide

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