quarta-feira, 27 de novembro de 2013

o amor para mim #1

Estou numa relação comigo mesma à 4 meses, e não me vou trair, lamento!

adelaide ferreira

domingo, 24 de novembro de 2013

a minha mãe 1#

"sinto-me cansada agora", "como se me espetassem facas no braço, filha", "tenho tanto frio, tanto!", "trazes-me a sopinha, se puderes?", "desculpa eu não comer mais, não consigo", "tenho os olhos muito negros, não tenho?", "é isso que me dá vontade de desistir, se no fim eu não ficar bem" e as piores de todas "obrigada" e "desculpa pf"

não devia ser assim, pois não? ainda devia ser ao contrário, ainda devias poder ir-me levar a comida à cama, ainda devias conseguir levantar-te e ir aquecer-me uma botija de água quando eu tenho "tanto frio", ainda devias ser tu a falar comigo até eu adormecer, ainda devias ser tu a ir entregar-me os 20 comprimidos durante o dia... devias ser tu a encorajar-me para a vida...se o mundo fosse um sítio justo, como nunca o vi ser, devias ser tu a fazer-me sorrir, e não eu a limpar-te as lágrimas, quando me dizes que estás com dores....
é exatamente quando todos à nossa volta estão a cair, que chegou o timming perfeito para nos levantarmos com muita força... e eu costumo ter essa força, eu costumo não chorar quando tu me pedes que eu faça parar de doer, eu costumo ser fria como só a Marina consegue ser, quando tu dizes que não consegues comer mais, e alguém tem que te obrigar a fazê-lo. eu costumo não me desfazer em lágrimas quando durmo de porta aberta à cinco meses, depois das tuas quimio's, só para garantir que tu estás bem. eu costumo contar os minutos todos de um dia, para tu tomares os medicamentos certos, às horas certas. eu costumo acordar às 6 da manhã, para tomar conta do Gabriel, para deixar a casa como tu gostas, mesmo sabendo que nunca achas o suficiente. eu costumo chorar até adormecer, quando tenho os medos que tu tens e sinto isso que tu sentes.
eu fui mulherzinha para ir todos os dias, passar as tardes contigo ao S. João, soube ver-te toda entubada e não chorar à tua frente, soube ver-te deitada numa poça de sangue, por seres teimosa e nem sequer me zangar contigo. fui mulherzinha para tomar conta do pai, da avó, do nuno e da casa durante o tempo em que  tu não estiveste... se tu soubesses o quão difícil é ser tu... se soubesses o que custa ser tu e não ser eu, se soubesses o que custa não te ter bem, não te ver bem e sentir-te a cada dia que passa, pior...
se soubesses o quanto a tua quimioterapia e o teu cancro me destroem... se tu soubesses porque é que passo tanto tempo sozinha na garagem com o frio que tem estado, em vez de passar mais tempo dentro de casa... se soubesses, porque é que no verão, eu tinha que sair a pé todas as noites e chegar às 4 da manhã para me levantar às 6...mãe... se tu soubesses o que é a sensação de impotência que tenho dentro de mim, sempre que falo da tua doença...
Sou forte porque tu existes, sou como sou, porque sou um prolongamento infinito de ti, e nunca tive tanto orgulho nisto.. Se algum dia puderes ler isto... se tu algum dia quiseres ler isto... eu amo-te, amo-te e sinto-o como só sinto por mais 6 pessoas... porque nós somos assim, e andamos sempre às turras, mas desde que me conheço, que vocês são o melhor de mim!

E vá, chega de lamechices que são quase 20:30h e tenho que te ir levar a sopa, hoje come tudo, sim?


Adelaide Leite (como tu, mãe :') )

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

VOLEIBOL!


o remate é a prova de que conheci o Cassiano, que fui atleta dele. Aquilo na baliza é a prova de que tu não foste ao treino. o que tenho no pulso esquerdo é a prova daquilo que um simples totó pode significar para alguém. o salto hiper-baixo e super feio é a prova de que nem sempre aquilo que queremos é o melhor para nós. mas ya, faço grandes treinos mesmo quando tu não estás....

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

és o meu mundo, tens o meu mundo*

juro-te o teu sorriso e as tuas lágrimas tem efeitos contrários em mim. o primeiro causa-me arritmia. o segundo faz o meu coração parar. não só és um Homem incrivel, como também me fazes sentir uma mulher!
amanha vou voltar a usar o teu telemovel, vou voltar a tirar fotos a mim propria, vou voltar a fazer-te sorrir pelo meu nariz de rodolfo. amanha fica comigo, para sempre!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

coisas que nunca quero esquecer.

"ainda bem que existes adel", "é, já valeu a pena sair de casa", "-autch, bateste-me com a mão direita? -bati, imagina se fosse com a esquerda", "-porque é que me deste um beijo na cara de repente? -porque mesmo que aches que não, também precisas de carinho tó"

é mais fácil quando estamos juntos não é? dói menos quando nos suportamos um ao outro, não achas? o teu cheiro e o teu abraço, bem como o teu sorriso e a forma como me olhas, são uma das melhores coisas que tenho comigo. estou completamente em ti, e já toda a gente sabe, menos tu. a tua mãe morreu, e hoje na primeira aula, eu nem sabia o que te dizer, abracei-me a ti e perguntaste se estava com frio, respondi-te "não, não tenho frio. tenho antes, a noção de que tu estás completamente destruído e não te consigo ajudar, e não te sei sequer ajudar.. e esta é a unica maneira de tentar fazer com que te doa menos. desculpa ser fraca a esse ponto." mas disse-o na minha cabeça, tu não ouviste!
A tua mãe morreu e desde sábado que escolho cada palavra para usar contigo, desde sábado que estou de mãos dadas contigo, e mangas arregaçadas a tentar reconstruir o teu mundo, a tentar levantá-lo contigo...
Quando atacam a nossa wolfpack, é pior não é? Quando é só connosco, as coisas são fáceis. Somos fracos é quando atacam o nosso ponto fraco, e aquilo que queremos mais do que tudo, proteger!
Sei-o porque me ajudaste quando fui deixada no passado, sei-o porque tu tornavas os dias mais fáceis e mais rápidos, sei-o porque cada conversa sobre nada até às 5 da manhã, me fazia esquecer o meu coração partido. Sei-o porque quando soube que a minha mãe tinha cancro, nós estávamos chateados, mas tu soubeste vir falar comigo mal soubeste, e soubeste falar-me devagarinho e com carinho. soubeste sempre dar-me a mão, quando eu não tinha mais ninguém.
Quis perguntar-te o que se passou com a tua mãe, mas se já tinha conseguido arrancar-te um sorriso por um piada estupida a gozar com a prof, porquê regredir e fazer-te lembrar?
Sabes... foi a doença da minha mãe que me fez ser assim... eu não costumava ter medo de falar com as pessoas, nem costumava escolher as palavras, e evitar as zangas... a doença da minha mãe fez-me perceber que a vida são dois dias, e que o mundo é como é, e que se não aproveitarmos o momento ao máximo, o arrependimento são facas que nos trespassam.
A tua dor? Não a sinto como tu, mas ver-te quase a explodir ao meu lado, faz-me morrer por dentro... Tenho um sentimento maternal enorme em relação a ti, tens dezassete anos e hoje apeteceu-me ter os joelhos maiores para te poder sentar no meu colo e dizer-te que no fim, vais ficar bem... Juro-te que não tenho duvidas de que isso vai efetivamente acontecer... mas quando?
Se amanhã quiseres ir treinar 3h comigo, como fizemos no verão porque eu estava destruída, e se quando for hora de ir para casa quiseres que eu te leve a casa, se quiseres falar-me da tua mãe, como nunca o fizeste, eu estou aqui!


A tua,
Adel

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

a vida é uma merda*



Se ao menos tu fosses mais como eu e menos como tu. Costumo ter o dom da palavra e agora não sei o que te diga... Pela segunda vez num espaço de um mês não sei o que faça para fazer com que doa menos... e sinto-me impotente e tu deves sentir-te ainda mais... Acredito que te perguntes frequentemente porquê...acredito que queiras voltar atrás no tempo e não possas. Tens 17 anos e perdeste a tua mãe... Tens 17 anos e eu, que não sei quase nada sobre ti, sei que ainda precisas muito da tua mãe. Tens 17 anos, e eu tenho 18, e ambos somos pequenos a esse ponto.. ao ponto de não sabermos como reagir quando o mundo fica contra os nossos. Por favor não te percas, por favor continua a falar comigo, e continua a ir aos treinos, e escolhe viver, e por muito horrivel e dificil que tudo isso seja... muda... e pára de guardar tudo isso para ti ! A tua mãe morreu, eu não te sei ajudar, eu não sei o que é feito de ti agora, e mais uma vez... eu tenho vergonha de estar viva...

sábado, 16 de novembro de 2013

U*

O jogo ficou 2-0, magoei-me a sério num ombro, marquei o ponto da vitória ! Mas quando cheguei a casa soube que alguém que tu amas muito...faleceu... merda!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

"antónio, nesta conta temos 11700 conversações."


é assim que o treino corre mal, é assim que quando chego a casa me sinto melhor... és assim...

private life of a blogger

nem sempre aquilo que queremos é o melhor para nós. nem sempre o destino quer que as coisas corram como nós queremos. estou apaixonada, pela terceira vez na minha vida estou apaixonada. estar apaixonada é o mesmo que estar morta, sobretudo quando, pela primeira vez na minha vida, não é correspondido. não entrei nos bombeiros, porque me atrasei dois dias, mas o destino é mesmo assim, e aprendi a esperar. necessito urgentemente de me sentir útil, de sentir que sou precisa em algum lado.
o Gabriel já diz tudo, o Gabriel diz que "gota" da tia:
-"pé".
-peixe, muito bem amor.
-"oto pé".
-outro peixe, lindo!

hoje foi assim na aula de condução:
-bom dia Adelaide, vamos lá por a maquina a andar?
-vamos.
-olha já saiu o teu exame.
-já? para que dia?
(...)

E na aula de português foi assim:
-adel, quando me levas a passear no teu ferrari?
-já tenho data de exame.
-quando?
(...)
-mas és o primeiro a saber, por isso não digas a ninguém por favor.
-já sabes que não, também não disse quando foi o código. estás preparada?
-é como a instrutora diz, o que é preciso é não ter medo de morrer.
-ahahah, e tu não tens?
-nunca tive..

a minha mãe não fez quimioterapia, porque não tem as defesas suficientes... a vontade que tenho de te dar as minhas, mãe... duas semanas para adiares tudo, duas semanas para recomeçares a fazer tudo outra vez, estás a um passo de vencer essa merda dessa doença que vem e esmaga pessoas à sorte, estamos todos, és a minha heroína, amo-te, tenho muito orgulho em ti.
deixei de fumar, porque o cancro é genético, porque a minha avó morreu de cancro, porque a minha mãe está quase a vencê-lo, porque já me chegou de desilusões aos meus pais este ano.
o voleibol é o voleibol. como sempre foi, e eu amo aquilo, desmesuradamente.
preciso de um trabalho. preciso de desistir de fazer pioria a matemática. preciso de ti mais perto, preciso que digas mais vezes que queres casar comigo, que sou bonita e que jogo bem. preciso que saibas que estou completamente apaixonada por ti, e pelo teu sorriso.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

o voleibol contigo.

-curtas, tó?
-aprendi com a melhor.
-lindo!

-curtas, Adel? não tens hipotese, já te conheço.
-lol.
-aah, já sabia !!

-então tó, já aprendeste a direcionar o serviço?
-só quando é para servir para ti Adel.
-nota-se!
-serviste para ai 5x para mim.
-mas eu já aprendi a direcionar isto à muito tempo.
-e eu aprendi contigo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

fomos, peter pan*



isso era no tempo em que andávamos de mãos dadas. no tempo em que tu me pegavas ao colo e me deixavas sentar-me ao teu lado e falar-te o dia todo, a noite toda. isso era no tempo em que eu era tua e tu eras meu, mesmo sem querer. isso era no tempo em que os nossos corações batiam. isso era no tempo em que o mundo não era duro como é agora. isso era antes de eu te odiar.

«-sabes? és linda miúda. por dentro e por fora..
-não digas isso..
-digo... e sabes, odeio-o, invejo-o e mal o conheço..
-porquê?
-porque ele foi o único que conseguiu aquilo que eu quero...
-o que é que tu queres?
-sempre quis o teu amor, e nunca o consegui... em vez disso só consegui afastar-te.
-lamento..
-eu lamento..lamento pensar que desperdicei a oportunidade que tive contigo, duas vezes. Fui criança e fui otário.»

«-mas ouve, eu faço-te pressão? deixa-me em paz, e pára de te meter na minha vida rapaz!
-fazes-me pressão, fazes.
-azar o teu.
-incomoda-me a tua presença, incomoda-me que estejas perto e olhar para ti e ver-te feliz ainda me deixa com mais raiva.»