"ainda bem que existes adel", "é, já valeu a pena sair de casa", "-autch, bateste-me com a mão direita? -bati, imagina se fosse com a esquerda", "-porque é que me deste um beijo na cara de repente? -porque mesmo que aches que não, também precisas de carinho tó"
é mais fácil quando estamos juntos não é? dói menos quando nos suportamos um ao outro, não achas? o teu cheiro e o teu abraço, bem como o teu sorriso e a forma como me olhas, são uma das melhores coisas que tenho comigo. estou completamente em ti, e já toda a gente sabe, menos tu. a tua mãe morreu, e hoje na primeira aula, eu nem sabia o que te dizer, abracei-me a ti e perguntaste se estava com frio, respondi-te "não, não tenho frio. tenho antes, a noção de que tu estás completamente destruído e não te consigo ajudar, e não te sei sequer ajudar.. e esta é a unica maneira de tentar fazer com que te doa menos. desculpa ser fraca a esse ponto." mas disse-o na minha cabeça, tu não ouviste!
A tua mãe morreu e desde sábado que escolho cada palavra para usar contigo, desde sábado que estou de mãos dadas contigo, e mangas arregaçadas a tentar reconstruir o teu mundo, a tentar levantá-lo contigo...
Quando atacam a nossa wolfpack, é pior não é? Quando é só connosco, as coisas são fáceis. Somos fracos é quando atacam o nosso ponto fraco, e aquilo que queremos mais do que tudo, proteger!
Sei-o porque me ajudaste quando fui deixada no passado, sei-o porque tu tornavas os dias mais fáceis e mais rápidos, sei-o porque cada conversa sobre nada até às 5 da manhã, me fazia esquecer o meu coração partido. Sei-o porque quando soube que a minha mãe tinha cancro, nós estávamos chateados, mas tu soubeste vir falar comigo mal soubeste, e soubeste falar-me devagarinho e com carinho. soubeste sempre dar-me a mão, quando eu não tinha mais ninguém.
Quis perguntar-te o que se passou com a tua mãe, mas se já tinha conseguido arrancar-te um sorriso por um piada estupida a gozar com a prof, porquê regredir e fazer-te lembrar?
Sabes... foi a doença da minha mãe que me fez ser assim... eu não costumava ter medo de falar com as pessoas, nem costumava escolher as palavras, e evitar as zangas... a doença da minha mãe fez-me perceber que a vida são dois dias, e que o mundo é como é, e que se não aproveitarmos o momento ao máximo, o arrependimento são facas que nos trespassam.
A tua dor? Não a sinto como tu, mas ver-te quase a explodir ao meu lado, faz-me morrer por dentro... Tenho um sentimento maternal enorme em relação a ti, tens dezassete anos e hoje apeteceu-me ter os joelhos maiores para te poder sentar no meu colo e dizer-te que no fim, vais ficar bem... Juro-te que não tenho duvidas de que isso vai efetivamente acontecer... mas quando?
Se amanhã quiseres ir treinar 3h comigo, como fizemos no verão porque eu estava destruída, e se quando for hora de ir para casa quiseres que eu te leve a casa, se quiseres falar-me da tua mãe, como nunca o fizeste, eu estou aqui!
A tua,
Adel
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