domingo, 4 de dezembro de 2016

A carta que escrevi, mas que nunca te enviei

" 3 de Dezembro de 2016


Meu amor, hoje, há precisamente dois anos atrás, estava a passar um mês, desde que nos conhecemos, hoje, há dois anos atrás, tu deste-me uma rosa, e uma carta, hoje é a minha vez… as palavras estão gastas mas as lágrimas não. Juro que não quero esquecer, não quero esquecer da primeira vez que nos beijamos, nem da primeira vez em que fizemos amor, da primeira vez que dormi em tua casa e das vezes que mentimos para estarmos juntos só mais um bocadinho… A tua rua, a tua casa, o teu quarto, têm um encanto que só nós conhecemos, sentem como só nós sentimos… Não me quero esquecer da nossa entrega de diplomas, desse dia em que te disse: “ver-te ali e não te poder tocar foi a coisa mais difícil que fiz em toda a minha vida”. No inicio não sabia mas agora sei, deixar-te ir assim fácil, é a coisa mais difícil que vou tentar fazer em toda a minha vida. As tuas mãos, o teu corpo, os teus abraços. O que sofro quando sei que sofres, o que chorei quando estiveste internado e o bem que soube ouvir-te perguntar por mim nessa noite. Custava tão menos quando sabia que estavas ali, bem ali a cada queda minha… e agora? agora? Agora que decidiste fazer as malas, não me avisar e ir embora, agora que fiquei aqui sem ti... Agora que as noites são frias e os dias mais longos!... Não me vais amar mais, não me vais buscar ao trabalho e por-me papelinhos no carro enquanto me gravas, não vamos mais à praia juntos, não vamos fazer amor, não vamos ver filmes, nunca mais vou adormecer no teu colo. Nunca mais vou ser o ombro que queres ter para chorares, nunca mais vou ser a tua melhor amiga e a tua única confidente… Nunca mais vou afagar o teu cabelo enquanto conduzes ou mimar-te enquanto me mimas. Nunca mais vamos de ferias juntos. Nunca mais a mota que vou ouvir e que me faz correr pra janela vai ser a tua… Nunca mais vou sentir amor e ver o meu reflexo nos teus olhos! Foste a melhor coisa que me aconteceu na vida, e dava tudo, um dia da minha vida, para poder voltar atrás no tempo e ser o que eramos, dava tudo para seres mais uma vez tu a tentar voltar, porque ambos sabemos que voltarias, voltarias ao lugar que é teu, e que sempre foi teu. Porque é isso que sempre fiz contigo: querer-te bem ao meu lado assim que o quisesses! Talvez as coisas tenham acabado à muito tempo e eu nunca tenha querido ver… talvez tu sejas bem mais forte do que eu sou, mais seguro, mais (…) Assim que quiseres voltar, eu estou aqui, não vou deixar a chama morrer nunca, porque tu és o grande amor da minha vida e isso só se vive uma vez! Não vou procurar nada, vou estar em casa, no trabalho, na faculdade, num destes 3 sitios vais sempre poder encontrar-me! Nem que seja para um café. Obrigada por tudo… Eu… AMO-TE!

Adelaide Ferreira"


E eu sei que não foi assim tão mau, sei que o que fiz tem perdão, sei que se não podes ou não queres perdoar... não sei! Não somos (fomos) esses casais patéticos que se vêm nos filmes, fomos melhores, custa falar no passado mas fomos melhores! Só eu e tu sabemos o que se passou e não vou voltar a falar de ti a ninguém, porque tu és tu, e foste tão especial que vou ver que me calar, calar para que nada nem ninguém possa alterar a tua memoria em mim!
Já passei por isto mas nunca nestas proporções, nunca pensei que o meu Pedro me fosse largar, largar a minha mão, o meu coração, parece que não tenho rumo entendes? Parece que o mundo caiu, que congelou, que não anda mais enquanto não te sentir! É assim tão mau falar com um amigo? Ou isto já estava a acontecer e eu não vi? Ou tu já querias muito isto e eu não sabia? São 9:40h da manhã, estou tão mal que acordei às 8:30h, juro que isto é verdade! A minha mãe ontem teve que ir dormir para o meu quarto porque sozinha já não conseguia, quem me conhece sabe que para desabafar com a minha mãe é sinal de que o mundo está efetivamente a acabar!... Pensei que hoje já me sentiria melhor, mas mal acordei e procurei o telemóvel percebi que era verdade, que tu tinhas mesmo ido embora sem mim, que me tinhas deixado aqui, sozinha, caída no chão, e que não vais nunca mais voltar! E dói! Se dói! Ainda não parei de chorar desde que te liguei ontem à tarde, mas prometo que não ligo mais, que não chateio mais, prometo que vou aprender a lidar com a tua perda!


Adelaide Ferreira

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