sexta-feira, 11 de outubro de 2013

o teu Pai*

ouvi a tua história, e essa sempre pareceu a única maneira de eu te entender, sempre me rendi a cada palavra tua, e desta vez foi assim na mesma...
acho incrivel aquilo que o destino pode fazer quando o destino quer... Sabias que a minha mãe é amiga da mãe da tua Sara? Sabias que ainda na Segunda feira ela esteve aqui a falar de ti e do teu pai, e da tua familia, e isso me fez (mais uma vez) chorar ao lembrar-nos.
-Filha, o pai do Hugo chama-se Jorge?
-Sim, porquê?
-Porque a Isabel conhece-o e dá-se bem com a mãe do Hugo..
-ah.
-até me disse que vocês os dois faziam um casal muito bonito juntos..
-onde é que ela nos viu?
-costumava ver-vos à porta de casa dela..
-não sei quem é...
(...)
-e o Pai do Hugo está muitas vezes na sede não é?
-sim, acho que é isso..
-pronto, ela conhece-o muito bem.

E juro-te, juro-te do fundo da alma que ainda me resta que durante muito tempo me perguntei sobre ti, e sobre o rumo que tinhas tomado... durante muito tempo perguntei-me o que era feito de ti... e em todas as noites tudo parecia incrivelmente sereno junto da bartolomeu dias, porque em todas as noites de verão eu passei à tua porta, e o amor que tinha fazia-me desejar morar ali para sempre!...
Não achei que fosse receber noticias tuas assim... Engraçado... não consigo deixar de me lembrar do dia em que conheci o teu pai, da maneira como ele me cumprimentou e pôs à vontade em vossa casa... não me esqueço daquele sorriso enorme que ele tinha de orgulho em ti, e em tudo aquilo que lhe mostravas que conquistaste..E não me esqueço da última vez que o vi, ia ele, e a tua mãe, na auto-estrada, no vosso carro da altura, no dia do teu aniversário, mesmo ao lado do meu carro, e eu vi-os mas eles não... apostei comigo que o teu pai levava a tua mãe ao emprego nessa segunda-feira...
A minha mãe está internada no hospital, tiraram-lhe o estômago, mas dizem-me que ela está bem... E assim que começou tudo a fazer sentido (finalmente) para nós, eis que a Isabel decide ir visitar a minha mãe:
- então e tu belinha? Está tudo bem?
-está Isabel, obrigada.
-já sabes do pai do Hugo, não é?
-sei o quê?
-Ele faleceu.
-não brinque pf.
-não minha querida, ninguém se acredita mas é verdade...
-não não é..
-ainda ele fez anos no sábado... o sr. jorge...
(...)
Juro-te mais uma vez que chorei como uma criança, e que me tiraram o chão. Juro-te que pedi por tudo que não fosse verdade, juro-te que só me apeteceu ligar-te a dizer-te o quanto lamento...
-liga-lhe filhinha, ele precisa do teu apoio...
-não precisa não Isabel, se não já me teria ligado..
-pode não ter forças para isso..
-o Hugo é um miudo forte..
-não... a Sara a minha afilhada é que foi ao funeral e me disse que o miudo está muito mal...a mãe dele nem teve coragem de ir...

E foi nesse segundo que me deu o click.. porque me lembro o quão mulher a tua princesa é, e o quão apaixonada é, e quanto ama o teu pai, o quão perfeitos são juntos.
Lembras-te? De uma das milhentas discussões em que acabamos em tua casa a ver o filme do casamento dos teus pais, porque a tua mãe estava amuada com o teu pai? (agora sorrio entre as lágrimas, porque apesar de tudo, sei que não merecias metade disso... e contigo aprendi que suporto bem melhor as minhas dores do que as dos outros... e esta está insuportável hoje..)
Por fim, juro-te, que mesmo que não precises eu estou aqui... e se logo à noite quiseres discutir comigo, e vir aqui, para acabarmos em casa dos teus pais a fazer a tua mãe rir até o teu pai chegar... conta comigo!

Perdeste o teu pai e eu tenho vergonha de estar viva!


Adelaide Ferreira

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